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(Da esquerda para a direita) Glen Micallef, Catarina Vaz Pinto, membro do Conselho de Supervisão da ECF, Andre Wilkens, diretor da ECF, Isabelle Schwarz, chefe de políticas públicas da ECF, Cecilia Thorfinn, chefe interina da representação da Comissão Europeia nos Países Baixos, Marjolein Cremer, assessora de Políticas de Artes e Cultura, Cidade de Amsterdam | Foto DR
Europe Direct Algarve, Opinião

Cultura, democracia e o futuro da Europa, uma conversa* com o comissário europeu Glenn Micallef

“A visão de Glenn Micallef é de uma Europa que investe na cultura, não apenas como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta de política externa e interna” | Por João Palmeiro

19:20 5 Novembro, 2025 19:52 5 Novembro, 2025
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Uma tarde europeia na Cimeira World Cities Culture Forum em Amesterdão. European Commission er for Culture Glenn Micallef junta-se a líderes municipais e formuladores de políticas culturais para o European Cities Unite: Culture in a Changing World, co-organizado pela Fundação Cultural Europeia, Eurocities e EIT Culture & Creativity.

O encontro concentra-se em como a colaboração entre as cidades pode ajudar a cultura a fortalecer a democracia, o pertencimento e a resiliência.

Segue-se a entrevista com o Comissário Glenn Micallef sobre o papel da cultura no futuro da Europa.

As Raízes Culturais em Malta

O Comissário Micallef começou por partilhar as suas raízes em Kalkara, uma pequena cidade na rica região portuária de Malta. Rodeado por património — fortalezas históricas e as vistas da icónica Grand Harbour —, a sua educação foi profundamente moldada pela cultura local vibrante. Ele relembrou o papel das duas sociedades filarmónicas locais, onde os jovens aprendiam música, e o forte espírito de voluntariado e envolvimento comunitário em torno de celebrações tradicionais. Segundo ele, “Em todo o lado onde se olhava, o lugar fervilhava de tradição, atividade e cultura”.

Glenn Micallef | Foto por Francois de Ribaucourt

Cultura como Equilíbrio e Ferramenta de Ligação

Durante a sua carreira como funcionário público, que incluiu a liderança da Unidade Brexit de Malta e a chefia do Secretariado do Primeiro-Ministro durante os anos da COVID-19, Micallef descobriu que os produtos culturais são essenciais para encontrar um equilíbrio e “desligar”. Embora goste de ler biografias, destacou o filme Gladiador como uma obra que o marcou.

Ao falar sobre a sua experiência como Vice-Presidente do clube de futebol maltês Zabbar St. Patrick FC, Micallef traçou um paralelo poderoso entre o desporto e a missão de promover um sentimento europeu. Para ele, o desporto é uma ferramenta poderosa para criar um sentido de pertença através de valores e identidade partilhados. A forma como os adeptos se unem em torno do seu clube, independentemente das diferenças pessoais, e o sentimento de propriedade que advém da participação nas decisões do clube são elementos essenciais que podem ser replicados para promover um sentido de identidade europeia.

Benefícios Tangíveis da Cultura para a Democracia

Micallef vê o seu portfólio como um “investimento estratégico no futuro, na democracia e no bem-estar da UE”. Ele deu exemplos de benefícios tangíveis:

  • Capacitação dos Cidadãos: Programas como Erasmus+ e Corpo Europeu de Solidariedade oferecem oportunidades de mudança de vida, ajudando os jovens a desenvolver competências e a tornarem-se cidadãos mais ativos e empenhados, o que reforça a identidade e os valores democráticos europeus.
  • Apoio à Democracia e Coesão Social: O Comissário sublinhou que a cultura fortalece a democracia e a coesão social. As evidências sugerem que os cidadãos que participam regularmente em atividades culturais têm maior probabilidade de votar, fazer voluntariado e desenvolver atitudes cruciais para a vida cívica e democrática, como a tolerância, a solidariedade, a confiança e a empatia.
  • Bem-Estar e Saúde: O acesso à cultura é considerado o segundo determinante mais importante do bem-estar psicológico, a seguir apenas à ausência de doença, melhorando a qualidade de vida.

Defesa da Liberdade Artística

Reafirmando a sua posição expressa anteriormente, o Comissário Micallef declarou que “a cultura e o património cultural são o oxigénio do nosso modo de vida europeu”, sendo uma fonte de força e coesão. Alertou: “Se quiseres destruir uma nação, ataca a sua cultura.”

Ele defende que a liberdade artística e a pluralidade de pontos de vista são essenciais para a democracia, um pilar do projeto europeu. Esta liberdade permite que as pessoas “expressem perspetivas diversas, desafiem narrativas dominantes e reflitam sobre quem somos enquanto sociedade”. O Comissário apelou a que todas as autoridades estatais na UE protejam esta liberdade, não só a proclamando, mas tomando medidas sérias contra ameaças e processando vigorosamente os ataques contra artistas e instituições culturais.

O Impacto da IA na Criação e na Democracia

Questionado sobre como a Inteligência Artificial (IA) pode alterar as ideias sobre liberdade artística e democracia, Micallef foi claro: “A IA não muda as minhas ideias sobre a liberdade artística ou a democracia.” Ele vê estas como “pilares fundamentais da nossa sociedade, a sociedade a que a IA deve servir”.

Por um lado, a IA oferece uma forma de democratização da criatividade, permitindo que uma gama mais ampla de pessoas se expresse artisticamente e envolva o público de novas maneiras. Por outro lado, levanta questões cruciais sobre direitos dos criadores, desinformação, diversidade cultural e ética. A Comissão Europeia está a responder a estes desafios através de iniciativas como a STARTS, que liga artistas, cientistas e tecnólogos, e de projetos de I&I de 28 milhões de euros para desenvolver ferramentas de deteção e impulsionar a literacia mediática, protegendo assim um ambiente online fiável

A Inteligência Artificial (IA) e a Literacia O Desafio da Democracia na Era Digital

Em vez de ver a IA como uma ameaça existencial aos valores, Micallef vê a como uma ferramenta que deve ser moldada pelos valores europeus.

Democratização da Criatividade vs. Riscos Éticos

A IA generativa está a remodelar o panorama cultural com um duplo efeito:

Oportunidade (Democratização)Desafio (Risco e Ética)
Novas Possibilidades Criativas: A IA “está a remodelar a forma como criamos e experienciamos a arte”, abrindo novas vias de experimentação.Autoria e Direitos: Levanta questões cruciais sobre os direitos dos criadores, remuneração, autoria, controlo e autenticidade.
Acesso Alargado: Permite que “pessoas sem formação artística tradicional” gerem arte sofisticada (visual, música, escrita).Desinformação e Deepfakes: Cria riscos de “desinformação e deepfakes” que tocam o cerne da liberdade de expressão e da democracia.
Envolvimento do Público: Envolve o público em novas formas de interação artística, que antes não eram possíveis.Ética e Viés: A inovação deve respeitar os valores culturais e societais para evitar preconceitos ou manipulação.

Micallef considera esta capacidade de permitir a qualquer um exprimir ideias criativas como uma forma de democratização.

O Papel Estratégico da Literacia e da Regulação

A resposta da Comissão Europeia aos riscos da IA foca-se na intervenção regulatória e na capacitação dos cidadãos através da literacia:

  • Combate à Desinformação através da Literacia: Para salvaguardar um ambiente online fiável e onde a livre expressão possa prosperar, a Comissão está a investir fundos significativos em projetos de R&I.

“Estamos também a abordar riscos — como a desinformação e os deepfakes — através de 28 milhões de euros em projetos de I&I destinados a desenvolver ferramentas de IA para deteção e a impulsionar a literacia mediática em toda a Europa.” A literacia mediática é vista como uma defesa fundamental contra a manipulação e a polarização.

  • Apoio à Inovação Responsável (STARTS): A iniciativa STARTS (Science, Technology, and the Arts) é um exemplo de como a UE procura orientar a tecnologia. O programa junta artistas, cientistas e tecnólogos para garantir que “a inovação respeita os valores culturais e societais”.
  • Regulação dos Riscos: O papel dos decisores políticos é “mitigar estes riscos” (como a desinformação e os deepfakes), enquanto ajudam artistas e empresas criativas a “tirar o máximo partido da IA e de outras tecnologias emergentes”. A Lei da IA da UE serve como o quadro regulamentar para este fim.

Em última análise, a visão do Comissário Micallef sobre a IA é de que a tecnologia deve servir a sociedade e ser moldada pela cultura, sendo a literacia a ferramenta crucial para capacitar os cidadãos a discernir a verdade e a proteger a sua participação democrática.

A Iniciativa STARTS, Arte na Encruzilhada da Inovação

O STARTS é uma iniciativa da Comissão Europeia, lançada no âmbito do programa de investigação e inovação Horizonte 2020 (e seus sucessores), que procura construir pontes entre a Ciência, a Tecnologia e as Artes.

 Missão e Visão (Os Três Pilares da Inovação)

A premissa central do STARTS é que a conjunção destes três campos tem um potencial extraordinariamente elevado para a inovação criativa e reflexiva.

  1. Visão Holística e Centrada no Ser Humano: A principal missão do STARTS é fomentar alianças de ciência, tecnologia e artes que implementem eficazmente uma abordagem europeia à inovação tecnológica centrada nas necessidades e valores humanos.
  2. Solução para Grandes Desafios: A inovação radical resultante destas alianças é vista como essencial para dominar os desafios sociais, ecológicos e económicos que a Europa enfrenta (como a sustentabilidade, a coesão social e a transição digital).
  3. Inovação Artística como Motor: O ponto de vista artístico oferece perspetivas alternativas e soluções criativas que podem inspirar o progresso na investigação e nos negócios, elevando a consciência sobre problemas globais e societais.

Mecanismos e Objetivos Operacionais

A iniciativa STARTS opera através de vários mecanismos para concretizar a sua missão:

  • Residências Artísticas (S+T+ARTS Residencies):
    • Objetivo: Permitir que artistas desenvolvam novos projetos-piloto em tecnologias sustentáveis e centradas no ser humano.
    • Áreas de Foco: Estas residências frequentemente exploram campos de ponta como a Inteligência Artificial (IA), computação de alto desempenho, visualização, gémeos digitais, tecnologias médicas e economia circular.
    • Função do Artista: O artista é integrado nos consórcios de investigação e inovação (R&I), trazendo uma perspetiva inquisitiva e crítica para o processo, ajudando a explorar utilizações não convencionais da tecnologia.
  • Prémio STARTS (STARTS Prize):
    • Objetivo: Reconhecer e promover projetos artísticos de destaque, impulsionados pela tecnologia, que façam uma contribuição significativa para a inovação social e económica.
    • Reconhecimento: O prémio é um reconhecimento de projetos na intersecção da arte, tecnologia e ciência, enfatizando a apropriação criativa da tecnologia e a procura de soluções para os desafios europeus.
  • Projetos-Farol (Lighthouse Pilots):
    • Objetivo: Explorar soluções inspiradas na arte para desafios industriais e sociais concretos em áreas-chave (por exemplo, a transformação digital e verde no contexto urbano).
    • Ação: Estes projetos envolvem a indústria, a tecnologia, os utilizadores finais e os artistas numa ampla exploração artística de tecnologias, visando a criação de produtos, processos e serviços novos e inesperados que respondam melhor às necessidades humanas.

Em resumo, ao apoiar o STARTS, o Comissário Micallef visa garantir que a evolução tecnológica é ética e culturalmente informada, colocando a criação artística no centro da inovação europeia.

Gostaria de saber mais sobre as prioridades atuais da Comissão Europeia que o Comissário Micallef está a implementar, como a “Bússola Cultural para a Europa”?

Sim. As prioridades do Comissário Glenn Micallef para a Cultura estão atualmente a ser consolidadas num quadro estratégico ambicioso e abrangente, conhecido como a “Bússola Cultural para a Europa”.

A Bússola Cultural é o seu principal projeto para o mandato (2024-2029) e visa posicionar a cultura no centro das políticas da União Europeia, reconhecendo-a como o “alicerce da democracia e motor de transformações sustentáveis”.

Os 5 Pilares Fundamentais da Bússola Cultural

Embora os detalhes finais da estratégia estejam a ser definidos em consulta com stakeholders (como a campanha Cultural Deal for Europe), os principais pilares de ação propostos pelo Comissário para responder aos desafios emergentes são:

PilarFoco PrincipalRelação com Tópicos Anteriores
1. Reforçar a CompetitividadePromover o crescimento e a resiliência dos Setores Culturais e Criativos (SCC) da Europa, assegurando a sua relevância na economia global.Ligado à inovação (STARTS) e ao desenvolvimento económico das cidades.
2. Melhorar as Condições de TrabalhoGarantir melhores condições de trabalho, remuneração justa e acesso à proteção social para artistas e demais trabalhadores do setor cultural e criativo.Responder a uma necessidade social urgente, promovendo a justiça social no setor.
3. Preservar o PatrimónioProteger e promover o rico património cultural da Europa como um bem comum, reforçando o sentimento de identidade europeia partilhada.Elemento central da identidade europeia e do papel da cultura nas cidades e comunidades locais.
4. Responder aos Desafios da IADesenvolver políticas e ferramentas que orientem o desenvolvimento e a utilização da Inteligência Artificial nos SCC, protegendo os direitos de autor e combatendo os riscos da desinformação.Continuidade direta com as suas afirmações sobre a IA e a necessidade de literacia.
5. Garantir a Liberdade de Expressão e DemocraciaSalvaguardar a liberdade de expressão, combater a polarização e a desinformação, e utilizar a cultura para promover a participação cívica, a coesão social e a resiliência democrática.Considera a cultura o motor para lidar com as “águas agitadas” da geopolítica e da divisão interna da Europa.

Prioridades Estratégicas e o Objetivo

O objetivo primordial do Comissário Micallef é que a cultura deixe de ser vista como um complemento ou um luxo, mas sim como uma necessidade estratégica para o futuro da UE.

  • Cultura no Centro da Decisão Política: Ele defende que a cultura deve ser o ponto de partida para a estratégia da UE, e não um mero apêndice.
  • Aumento do Financiamento: Há um apelo veemente para que o futuro Quadro Financeiro Plurianual (QFP – o orçamento de longo prazo da UE) atribua pelo menos 2% do financiamento da UE para apoiar a cultura e o património cultural, garantindo que o programa Europa Criativa permaneça robusto e eficaz.

Estas prioridades refletem a necessidade de uma Europa mais inclusiva, democrática e unida, onde a cultura e o património são as fundações para a reconstrução.

Gostaria de saber mais sobre como o Comissário Micallef planeia abordar as condições de trabalho dos artistas, um tópico crucial no Pilar 2 da Bússola Cultural?

Sim. A melhoria das condições de trabalho dos artistas e dos profissionais do setor cultural e criativo (SCC) é uma prioridade social e política central para o Comissário Glenn Micallef e um pilar fundamental da sua “Bússola Cultural para a Europa”.

Micallef reconhece que a cultura é essencial para a sociedade, mas o setor é frequentemente marcado pela precariedade, insegurança social e financeira.

O Compromisso com o “Estatuto do Artista” Europeu

O Comissário comprometeu-se a dar seguimento ao trabalho já iniciado pela Comissão anterior, em resposta ao apelo do Parlamento Europeu para melhorar a situação social e profissional dos trabalhadores da cultura.

Objetivos Chave de Micallef:

  1. Segurança Social e Remuneração Justa: Abordar a natureza descontínua do trabalho artístico. O objetivo é garantir que os artistas e profissionais do SCC possam beneficiar de um regime de segurança social e de pensões modulável que cubra domíios como desemprego, doença, invalidez e maternidade, que são frequentemente inadequados devido à natureza esporádica do seu trabalho.
  2. Mobilidade Transfronteiriça: Abordar os problemas fiscais e de segurança social que dificultam a mobilidade dos artistas na Europa. A falta de coordenação entre os Estados-Membros complica a tributação da UE.e o acesso aos direitos sociais quando trabalham em diferentes países
  3. Reforço do Controlo: Trabalhar em conjunto com os Estados-Membros para reforçar o Estatuto do Artista através de medidas legislativas e regulamentares que abordem o regime laboral e a prestação de serviços.

Próximos Passos e Ação

Para concretizar este objetivo, o Comissário Micallef planeia uma abordagem colaborativa:

  • Mesa-Redonda de Alto Nível: Como um dos seus primeiros passos no cargo, o Comissário anunciou que organizaria uma mesa-redonda de alto nível com os parceiros sociais e as partes interessadas pertinentes. O objetivo é planear em conjunto os próximos passos e garantir que a estratégia europeia seja baseada nas necessidades reais do setor.
  • Ação Coordenada com Outras Pastas: O tema é transversal. Micallef trabalhará em estreita cooperação com os Comissários titulares de pastas pertinentes (como Emprego e Direitos Sociais) para garantir que as ações adicionais da UE nesta área sejam abrangentes e eficazes.

A melhoria das condições de trabalho é vista como um ato de justiça social e um passo essencial para garantir um setor cultural sustentável e capaz de florescer na Europa.

A Cultura como Bússola Estratégica, A Visão de Glenn Micallef para uma Europa Justa e Digital

Glenn Micallef, defende uma visão integrada onde a cultura não é um luxo, mas sim um alicerce estratégico para enfrentar os desafios modernos, desde a Inteligência Artificial até à polarização social e às dificuldades dos jovens. O seu mandato está focado em utilizar a cultura como uma “bússola” para orientar a União Europeia (UE) rumo a um futuro mais democrático, justo e resiliente.

I. A Cultura como Alicerce da Democracia e Identidade

Para Micallef, a cultura é o principal fator de união na Europa e o motor para a resiliência democrática:

“A cultura é fundamental para a Europa, forma a nossa identidade e através da cultura expressamos os nossos valores.”

Esta convicção é traduzida no seu projeto principal: a “Bússola Cultural para a Europa”, um quadro estratégico que visa colocar a cultura no centro da decisão política da UE.

A Bússola Cultural e a Resiliência Social

A Bússola Cultural (cujo desenvolvimento está a ser ativamente trabalhado) é projetada para abordar os grandes desafios da Europa, nomeadamente num contexto de crescente fragmentação e polarização. Os seus pilares fundamentais são:

  1. Garantir a Liberdade de Expressão e Democracia: Proteger a integridade democrática e os valores europeus, utilizando a cultura para fomentar a coesão social e combater narrativas falsas e tendenciosas.
  2. Preservar o Património: Promover o património cultural como um bem comum que reforça o sentimento de identidade europeia partilhada.
  3. Reforçar a Competitividade: Promover o crescimento e a resiliência dos Setores Culturais e Criativos (SCC), reconhecendo o seu impacto económico (2% do PIB da UE).
  4. Melhorar as Condições de Trabalho: Abordar a precariedade no setor cultural (ver secção II).
  5. Responder aos Desafios da IA: Orientar o desenvolvimento tecnológico em linha com os valores europeus (ver secção III).

II. O Desafio Social: Justiça para os Criadores e a Juventude

A pasta de Micallef sublinha o compromisso com a Equidade Intergeracional e a Juventude, tornando a justiça social um ponto focal da sua política cultural.

O Estatuto do Artista e as Condições de Trabalho

O Comissário reconhece a precariedade que afeta artistas e profissionais da cultura e está empenhado em melhorar o seu estatuto social e profissional na UE.

  • Necessidade de Proteção Social: O objetivo é garantir que os trabalhadores do SCC, muitas vezes com carreiras descontínuas e trabalhos esporádicos, possam beneficiar de um regime de segurança social modulável. Este regime deve cobrir o desemprego, a doença, a invalidez e a maternidade de forma justa e adequada à natureza do trabalho criativo.
  • Remuneração Justa e Controlo: A ação visa também reforçar o Estatuto do Artista através de medidas que abordem o regime laboral, a prestação de serviços e a tributação, garantindo uma remuneração equitativa e combatendo a precariedade.
  • Mobilidade: Simplificar os problemas fiscais e de segurança social que dificultam a mobilidade dos artistas para trabalharem em diferentes Estados-Membros.

Cultura e Juventude

O Comissário considera a participação dos jovens na cultura e na tomada de decisões como vital para a saúde democrática da Europa. O envolvimento com jovens representantes, como os que trabalharam na Adenda dos Jovens à Carta do Porto Santo, é fundamental para garantir que as políticas culturais e juvenis são mais participativas e que a solidariedade entre gerações é considerada em todas as decisões da Comissão.

III. IA e Literacia: O Guardião da Liberdade Artística na Era Digital

Micallef vê a Inteligência Artificial (IA) através de uma dupla lente: como um poderoso fator de democratização da criatividade, mas também como um risco que necessita de uma gestão ativa.

“A IA não muda as minhas ideias sobre a liberdade artística ou a democracia. Estas últimas são pilares fundamentais da nossa sociedade, a sociedade a que a IA deve servir.”

Democratização vs. Desinformação

  • Oportunidade: A IA generativa está a remodelar a criação artística, permitindo que pessoas sem formação tradicional gerem arte sofisticada (música, visuais). Micallef vê isto como uma forma de democratização da criatividade.
  • Risco: A IA também levanta graves questões sobre os direitos de autor, a autoria, a remuneração dos criadores e, crucialmente, cria riscos de “desinformação e deepfakes” que ameaçam a liberdade de expressão e a democracia.

A Resposta Estratégica da UE

A resposta da Comissão foca-se na regulação e na capacitação (literacia):

  1. Regulação (Lei da IA): A Lei da IA da UE fornece o quadro para mitigar os riscos enquanto ajuda artistas e empresas a tirar o máximo partido das tecnologias emergentes.
  2. Inovação Responsável (Iniciativa STARTS): Através da iniciativa STARTS (Science, Technology, and the Arts), a UE financia projetos que ligam artistas a cientistas e tecnólogos. O objetivo é garantir que a inovação respeita os valores culturais e societais, utilizando o pensamento artístico para impulsionar a inovação de forma centrada no ser humano.
  3. Investimento em Literacia: Para combater os riscos de manipulação e polarização, a Comissão investe em projetos de Investigação e Inovação (I&I) para desenvolver ferramentas de deteção e, mais importante, para “impulsionar a literacia mediática em toda a Europa”. A literacia é vista como a defesa fundamental dos cidadãos contra a desinformação.

Em suma, a visão de Glenn Micallef é de uma Europa que investe na cultura, não apenas como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta de política externa e interna, um motor de sustentabilidade e coesão, e a bússola necessária para navegar na era digital sem comprometer os valcom Eurocitiesores democráticos fundamentais

Edição e adaptação com IA de João Palmeiro com Eurocities/Common Ground.

JOÃO PALMEIRO

*Em seguimento à “Cultura: A Bússola para o Futuro da Europa”, a Conversa Anual de Política de 2025 da campanha Cultural Deal, a revista anual Common Ground entrevistou o Comissário Europeu para a Igualdade Intergeracional, Juventude, Cultura e Desporto, Glenn Micallef. A entrevista destaca o papel da cultura no fortalecimento da democracia, da coesão social e da identidade europeia.

Leia também: Pordenone 2027 – Capital Italiana da Cultura: A “Cidade que Surpreende” transforma o nordeste italiano em palco cultural

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Dificuldades no acesso a sites em Portugal: o que se sabe após as falhas na NOS

11:20 28 Outubro, 2026 11:42 28 Outubro, 2026

Utilizadores relatam dificuldades em abrir alguns sites. A NOS diz ter resolvido a falha de terça-feira e a origem dos novos problemas está por confirmar

Algarve, Desporto, Economia

Ferragudo celebra 27 anos como vila e reivindica financiamento mais justo para a freguesia

08:13 28 Outubro, 2026 08:13 28 Outubro, 2026

Comemorações dos 27 anos de Ferragudo como vila incluem atividades e um debate sobre o futuro do Algarve, num contexto de reivindicações financeiras

Economia, Europe Direct Algarve

Olhão reúne 120 participantes de três regiões para promover a inovação social e o emprego

09:39 28 Outubro, 2026 10:19 28 Outubro, 2026

Encontro sobre inovação social reuniu mais de 50 entidades do Algarve, Alentejo e Andaluzia para debater inclusão, empreendedorismo e emprego

Cultura, Ensino, Europe Direct Algarve

Parlamento Europeu reúne nove escolas de Portugal, Irlanda e Reino Unido em Ferragudo

07:44 28 Outubro, 2026 07:44 28 Outubro, 2026

Estudantes de Portugal, Irlanda e Reino Unido participam em encontro de cidadania europeia promovido pelo Parlamento Europeu no Algarve

Algarve, Cultura

Conservatório de Albufeira prepara regresso das aulas de ballet e convida famílias a manifestar interesse

07:20 28 Outubro, 2026 07:13 28 Outubro, 2026

Instituição quer reativar o ensino de ballet em Albufeira e está a recolher informações das famílias para organizar as futuras aulas

Europe Direct Algarve

Curso de Jornalismo Parlamentar regressa com formação em Lisboa e Estrasburgo para 20 jornalistas

10:30 28 Outubro, 2026 10:21 28 Outubro, 2026

Jornalistas com mais de dois anos de experiência podem candidatar-se ao curso de Jornalismo Parlamentar, com inscrições abertas até 30 de outubro

Opinião, Política

A extrema-esquerda acordou. A renda tocou o despertador | Por Tiago Manuel

09:50 28 Outubro, 2026 09:54 28 Outubro, 2026

"Voltar à luta de classes exige mais do que recuperar o vocabulário. Exige estar onde os salários falham, onde as rendas expulsam e onde trabalhar deixou de garantir autonomia"

Cidade às escuras. Crédito: Freepik
Animais, Nacional

Mega apagão marcado para 30 de outubro: população desafiada a desligar as luzes durante três horas

15:10 27 Outubro, 2026 14:10 27 Outubro, 2026

O mega apagão está marcado para sexta-feira, 30 de outubro, entre as 20h00 e as 23h00. Municípios, hotéis e até um aeroporto deverão aderir à iniciativa

Algarve, Política

Conceição Cabrita volta ao Tribunal de Faro em julgamento por suspeitas de corrupção

18:20 27 Outubro, 2026 18:22 27 Outubro, 2026

Tribunal de Faro ouviu quatro arguidos no processo de alegada corrupção que envolve a ex-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António

Europe Direct Algarve, Opinião, Política

Vamos mudar as leis ou mudar o poder? | Por Bruno Miguel Alves

17:50 27 Outubro, 2026 18:01 27 Outubro, 2026

"O poder local não precisa só de um novo Código. Precisa de mais capacidade para decidir, mais meios para executar e mais responsabilidade perante os cidadãos"

Mulher a caminhar à chuva. Crédito: Freepik
Tempo

Chuva pode ganhar força em Portugal em novembro: vórtice polar dá sinais de mudança

09:30 27 Outubro, 2026 15:02 24 Outubro, 2026

Novembro poderá trazer mais chuva a Portugal. Uma alteração na circulação polar está entre os sinais acompanhados pelos modelos

Cultura, Europe Direct Algarve

Odiana apresenta novas rotas turísticas do Guadiana em encontro entre Portugal e Espanha

15:20 27 Outubro, 2026 15:12 27 Outubro, 2026

Projeto transfronteiriço desenvolveu rotas náutico-culturais para valorizar o património do Baixo Guadiana e promover novas experiências turísticas

Opinião

Fábio Paim e a eterna dúvida: entre os erros do passado e a presunção de inocência | Por André Leman

18:36 27 Outubro, 2026 18:36 27 Outubro, 2026

"Queremos verdadeiramente saber se Fábio Paim é culpado, ou estamos apenas à espera que um tribunal confirme aquilo que já decidimos acreditar?"

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