Felizmente que os cuidados com a saúde da criança têm dado azo a que as instituições de saúde, a começar pelos serviços de pediatria, os próprios órgãos de comunicação social, as instituições de promoção para a saúde, entre outras, tenham vindo a produzir materiais de inegável qualidade e oportunidade. Neste espaço, somente nos limitamos a reforçar todo esse processo de literacia em saúde para onde convergem pais, encarregados de educação e a multiplicidade de formadores de crianças. A divulgação em saúde é inesgotável, julgo mesmo que respeitável, desde que não use argumentos, preconceitos que atentem contra a verdade dos factos.
Escusado é dizer que o assunto é por natureza da maior amplitude, como se exemplifica: as preocupações com a pele infantil, as afeções cutâneas, os artigos de higiene infantil, a criança com gastroenterite, a febre na criança, a tosse… Permita o leitor que deixe aqui um punhado de considerações:
– A pele infantil é altamente sensível e frágil e o seu pH neutro pode reduzir as defesas contra a proliferação de micróbios. A pele da criança, especialmente dos lactentes, é particularmente sensível ao excesso de secreção sebácea (caso da crosta láctea), aos ácaros do pó da casa, às bactérias presentes no meio envolvente, às impurezas acumuladas na fralda, entre outros agentes potencialmente agressores. E podemos ir por aí fora até à pele seca, ao eczema, à dermatite das fraldas, a necessidade de falar com o pediatra ou recorrer ao aconselhamento farmacêutico. Também nesta ordem de ideias convém não esquecer a chamada dermatite atópica, é um distúrbio inflamatório da pele, tem a ver com a pele seca, provoca prurido, os pais devem cuidar de remover os irritantes ambientais e obter informação segura sobre a hidratação regular da pele atópica para controlar o prurido e controlar a dermatite.

A gastroenterite na criança deixa qualquer pai ou mãe na maior das aflições, a chamada gastroenterite aguda tem duração inferior a uma semana, manifesta-se com vómitos que não excedem os três dias, dor abdominal e diarreia, são muitos os agentes responsáveis, é essencial que os pais saibam que as crianças são particularmente vulneráveis à desidratação e que a perda de fluídos devido à diarreia e aos vómitos conduzem à desidratação; nada de dramatizar esta gastroenterite aguda é uma doença benigna, a reidratação é a chave do tratamento.
Não há pai ou mãe que não se lembre das inquietações que passou com a febre ou a tosse na criança. A febre é um sinal muito frequente nas crianças, pode ser a resposta a diversas patologias, faz como infeções e fenómenos imunológicos, tumorais ou farmacológicos. De um modo geral, a febre é provocada por infeções; quando a febre é provocada por infeções no ouvido, pulmões, bexiga ou rins, é normalmente de origem bacteriana, a criança tem mesmo que ser vista por um médico; a observação médica é a todos os títulos recomendada quando a temperatura for superior a 38 ºC em crianças com menos de 3 meses. A terapêutica não farmacológica mais indicada passa por hidratar a criança com medidas frescas, manter um ambiente fresco ou a não agasalhar a criança em excesso, por exemplo. E temos por último a tosse, as suas causas mais frequentes são as infeções virais do trato respiratório superior, mas pode também estar relacionada a um conjunto alargado de patologias. É necessária uma observação permanente dada a dificuldade da perceção dos sintomas a que podem estar associados.
Um primeiro passo será recorrer ao aconselhamento farmacêutico, poderá ser útil utilizar vapores húmidos, mucolíticos, mas não é recomendável recorrer a automedicação sem conselho, até porque pode estar contraindicado o uso de antitússicos.
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