As alterações ao Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) em 2026 prometem aliviar a carga fiscal de trabalhadores e pensionistas e trazer mais dinheiro. A atualização automática dos escalões e a redução das taxas entre o segundo e o quinto escalão podem representar poupanças anuais entre 58 e 347 euros, segundo as simulações da EY citadas pelo Jornal Económico.
A medida visa compensar parcialmente o aumento do custo de vida e reforçar o rendimento disponível das famílias. De acordo com o Jornal Económico, site especializado em economia, o Governo vai proceder a uma atualização de 3,51% dos escalões de IRS, acompanhada de um corte de 0,3 pontos percentuais nas taxas aplicáveis entre o segundo e o quinto escalão. Este duplo movimento fiscal terá um impacto de 111 milhões de euros, beneficiando sobretudo os contribuintes com rendimentos médios e altos.
Atualização dos escalões e cortes nas taxas
A subida dos escalões de IRS em 3,51% fica ligeiramente abaixo do aumento médio dos salários no setor privado, estimado em 4,6% para o próximo ano, mas supera a inflação prevista de 2,1%, o que garante algum alívio fiscal. Ainda assim, o Governo não garante neutralidade fiscal para quem receber aumentos acima dessa percentagem.
“Quem tiver um aumento superior pode subir de escalão e, assim, ver parte do ganho anulado pelo imposto”, explica Anabela Silva, partner da EY. Segundo a especialista, isso significa que “quem passa a receber mais pode acabar a pagar mais IRS”.
Mesmo assim, a maioria dos contribuintes vai sentir algum ganho líquido, já que o ajuste nos escalões e a redução das taxas asseguram uma diminuição efetiva do imposto em 2026.
Quem vai poupar mais
De acordo com as simulações da EY, um trabalhador solteiro sem filhos que ganhe 1.500 euros brutos por mês vai poupar cerca de 58 euros por ano. Já um casal com dois titulares e sem filhos, com o mesmo rendimento, terá um alívio fiscal de 151 euros anuais.
À medida que o salário aumenta, a diferença torna-se mais visível. Para rendimentos brutos entre 2.500 e 3.000 euros, as poupanças anuais variam entre 203 e 407 euros. No caso dos casados com dois titulares que aufiram 4.000 a 5.000 euros mensais, o alívio pode atingir 694 euros por casal, ou cerca de 347 euros por contribuinte.
Os pensionistas também serão abrangidos pelas novas tabelas. Um reformado solteiro com uma pensão de 1.500 euros deverá poupar um valor semelhante ao dos trabalhadores dependentes, enquanto um casal de reformados com o mesmo rendimento mensal beneficiará de um desconto próximo dos 400 euros anuais.
Exemplos concretos das simulações
Segundo o Jornal Económico, um trabalhador solteiro e sem filhos que ganhe 2.000 euros mensais verá o IRS anual cair de 4.378,90 euros em 2025 para 4.227,53 euros em 2026: uma poupança líquida de 151 euros, que se refletirá na liquidação de imposto feita em 2027.
Nos rendimentos mais altos, a diferença é ainda maior. Um casal com um filho e dois salários brutos de 4.000 euros pagará 694 euros a menos de IRS no conjunto do ano, reduzindo o imposto total de 38.782,58 euros para 38.088,19 euros.
Efeitos económicos esperados
Estas alterações têm como objetivo reforçar o poder de compra das famílias e estimular o consumo interno, num contexto de inflação controlada e de moderação salarial. Segundo o Jornal Económico, o Executivo espera que o alívio fiscal beneficie sobretudo a classe média, ainda que os maiores ganhos sejam sentidos nos rendimentos intermédios e superiores.
Para Anabela Silva, da EY, o novo modelo de escalões “é positivo, mas não elimina o risco de agravamento fiscal para quem tiver aumentos acima da média”.
Um alívio que pode não chegar a todos
Apesar das boas notícias, os especialistas alertam que o alívio fiscal não será uniforme. Quem receber aumentos salariais acima de 3,51% pode ver a sua taxa efetiva subir, reduzindo parte da poupança. Ainda assim, as novas regras representam um passo para aliviar a carga fiscal e aumentar o rendimento disponível das famílias portuguesas.
Em suma, 2026 trará menos IRS e mais dinheiro para a maioria dos contribuintes, embora o impacto varie consoante o nível de rendimentos e a composição familiar. Para muitos, será finalmente um pequeno fôlego nas contas, e mais dinheiro no final do mês.
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