Na transição do inverno para a primavera costuma haver uma imensa instabilidade aos céus sobre Portugal. Com a aproximação de uma das épocas festivas mais aguardadas de todo o ano, milhares de cidadãos anseiam por saber se a chuva vai arruinar os seus dias de descanso. A primeira previsão do portal Meteored, plataforma digital portuguesa de referência na análise meteorológica e climática, sobre o tempo para a Semana Santa acaba de ser divulgada e traz cenários atmosféricos que exigem atenção redobrada.
A resposta aos receios dos portugueses aponta para a manutenção de um cenário agreste e com precipitação ligeiramente acima da média nas regiões a sul e na ilha da Madeira. A informação é avançada pelo portal Meteored e os dados revelam também que os termómetros vão registar valores consideravelmente inferiores ao normal para esta fase do ano.
O feriado religioso que celebra a Páscoa arranca no dia vinte e nove de março com o habitual Domingo de Ramos. Este período festivo estende-se até ao dia seis de abril, englobando dias cruciais para o turismo e para as famílias. O panorama atmosférico de dois mil e vinte e seis vai ser totalmente ditado pelo comportamento errático de um jato polar muito ondulante.
A instabilidade ditada pelo jato polar
Indica a mesma fonte que esta corrente de ventos fortes em altitude permite uma alternância constante entre altas e baixas pressões. Esta dinâmica gera uma atmosfera altamente variável que dificulta o planeamento antecipado de atividades ao ar livre. Trata-se de um comportamento perfeitamente normal para o arranque da nova estação do ano.
Os modelos matemáticos atuais apontam para uma maior probabilidade de formação de um bloqueio anticiclónico nos céus europeus. O aparecimento de uma crista atlântica durante a quadra festiva constitui também um cenário bastante plausível e estudado pelos meteorologistas. Estas formações têm a capacidade de empurrar massas de ar gélido diretamente para a nossa geografia.
A ameaça da precipitação no sul do país
Explica a referida fonte que as anomalias de precipitação positiva vão afetar o arquipélago da Madeira de forma muito evidente. Algumas zonas específicas do sul do continente também deverão necessitar da companhia habitual do guarda-chuva ao longo dos dias de descanso. O cenário agrava-se com a possibilidade de uma circulação de depressões atlânticas em latitudes muito mais baixas do que o habitual.
A chuva promete marcar presença de forma ligeiramente superior à média histórica nestas datas concretas do calendário cristão. No que respeita ao restante território nacional e ao arquipélago dos Açores, os radares não detetam tendências pluviosas significativas nesta fase prematura. O norte e o centro parecem escapar ao excesso de água previsto para as latitudes inferiores de Portugal.
Termómetros abaixo da média habitual
O calor primaveril que costuma brindar os portugueses nesta época do ano parece estar definitivamente adiado. As projeções atuais não detetam valores de temperatura minimamente elevados para os dias que antecedem o domingo de Páscoa. O padrão térmico será marcado por uma frescura invulgar em quase todos os distritos do país.
As tendências indicam que os termómetros poderão situar-se um grau centígrado abaixo da média normal em Portugal continental. Este arrefecimento também se fará sentir com a mesma intensidade nas duas regiões autónomas insulares. Nalguns locais localizados a sul, a anomalia térmica negativa poderá ser ainda mais expressiva e incomodativa para os cidadãos.
A incerteza a longo prazo
A elaboração de cenários meteorológicos a várias semanas de distância acarreta sempre uma margem de erro bastante considerável. A primavera é caracterizada por ser uma estação de transição onde as previsões mudam de forma abrupta em poucos dias. O Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo sublinha a fiabilidade muito reduzida destas aproximações iniciais.
Explica ainda o portal Meteored que a incerteza é tão elevada que ainda se vislumbra a hipótese do aparecimento de um terceiro padrão de circulação. Esta alteração profunda significaria um regresso do fluxo zonal à nossa latitude terrestre. Por enquanto, a única certeza absoluta é que o estado do tempo dinâmico e variável veio para ficar durante todo o mês.
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