Portugal prepara-se para um episódio de intrusão de poeiras do Saara que deverá atingir todo o território continental a partir de quinta-feira, 21 de maio, com maior intensidade entre esse dia e sexta-feira. A chegada desta massa de ar africano deverá alterar o aspeto do céu e degradar temporariamente a qualidade do ar, num fenómeno que já começa a ser visível a partir do sul do país.
De acordo com a Meteored, site especializado em meteorologia e análise atmosférica, os primeiros sinais desta intrusão deverão surgir ainda nas últimas horas de quarta-feira, dia 20, sobretudo no Algarve. À medida que a massa avança, o transporte de partículas em suspensão intensifica-se, atingindo o pico entre quinta e sexta-feira, altura em que as concentrações serão mais elevadas e mais abrangentes no território nacional.
Um fluxo vindo do sul que transporta poeiras e calor
Este fenómeno resulta da instalação de um fluxo atmosférico de sul e sudeste, responsável por transportar ar muito quente e seco desde o Norte de África até à Península Ibérica. Esse mesmo mecanismo favorece o levantamento de poeiras do deserto do Saara, que são depois arrastadas ao longo de milhares de quilómetros.
Ao longo dos próximos dias, uma extensa massa destas partículas vai atravessar o país de sul para norte. O impacto será visível no céu, que deverá apresentar tonalidades esbranquiçadas, amareladas ou mesmo alaranjadas, dependendo da concentração de poeiras em cada região.
A progressão será gradual. Primeiro no sul, depois no centro e, já durante sexta-feira, mais acentuada no litoral norte. As previsões apontam para uma maior intensidade nas zonas costeiras, onde a concentração de partículas poderá ser mais elevada do que no interior.
Qualidade do ar e efeitos visíveis
Para além da alteração visual na atmosfera, a intrusão de poeiras terá impacto direto na qualidade do ar. Estas partículas, embora de origem natural, podem transportar elementos como pólen, fungos ou outros agentes que agravam algumas condições de saúde.
Em termos práticos, espera-se uma diminuição da visibilidade e a deposição de poeiras em superfícies exteriores. É o típico cenário em que carros, janelas e varandas ficam marcados por uma fina camada de pó, sobretudo se houver humidade ou precipitação.
Os efeitos não se deverão limitar a Portugal. A circulação atmosférica poderá estender esta massa de poeiras a outras regiões da Europa, acompanhando o mesmo corredor de ar quente que liga o Norte de África ao continente europeu.
Até quando se mantém o episódio
Segundo a mesma fonte, este episódio deverá prolongar-se pelo menos até à tarde de sábado, dia 23 de maio. Ainda assim, os modelos indicam que a intensidade começará a diminuir a partir da segunda metade de sexta-feira, com uma redução progressiva da concentração de poeiras.
Apesar dessa tendência, as regiões situadas a sul poderão continuar a registar níveis residuais de partículas durante mais algumas horas, prolongando o impacto do fenómeno.
A evolução depende, contudo, de fatores atmosféricos que podem sofrer alterações de curto prazo. Ainda assim, o cenário traçado aponta para cerca de três dias de influência direta desta massa de ar africano sobre o território continental.
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