Uma depressão fria deverá influenciar o estado do tempo em Portugal já esta semana, com chuva, vento forte e até a possibilidade de neve em algumas regiões. Os modelos meteorológicos apontam para uma mudança no padrão atmosférico, sobretudo nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, que poderão sentir os efeitos mais diretos deste sistema.
De acordo com o Meteored, os mapas meteorológicos indicam que uma bolsa de ar frio se poderá libertar da circulação geral do Atlântico e aproximar-se da Península Ibérica. Este tipo de fenómeno é conhecido como depressão fria isolada e pode originar instabilidade atmosférica significativa.
Trata-se de um sistema que, na prática, se assemelha ao que muitas vezes é designado como gota fria, embora com impacto mais visível à superfície. Em torno do centro da depressão podem formar-se frentes e linhas de instabilidade capazes de provocar chuva intensa, trovoada e rajadas fortes de vento.
Um bloqueio atmosférico no norte da Europa
Segundo explica o Meteored, a origem desta situação poderá estar associada a um bloqueio anticiclónico nas latitudes mais altas da Europa. As altas pressões entre o Reino Unido, a Suécia e a Finlândia estariam a desviar as tempestades para sul.
Quando este tipo de bloqueio se instala, as perturbações que normalmente seguem rotas mais a norte acabam por deslocar-se em direção ao sul do continente. Esse desvio pode colocar sistemas meteorológicos instáveis perto da Península Ibérica.
Este padrão atmosférico é frequentemente designado por bloqueio escandinavo. De acordo com a mesma publicação, costuma estar associado a períodos de instabilidade no sul da Europa, incluindo episódios de chuva e vento mais persistentes.
Açores entre as regiões mais expostas
Os arquipélagos portugueses poderão ser as zonas mais afetadas por esta depressão fria. Segundo o Meteored, os Açores poderão enfrentar um período de tempo bastante instável à medida que o sistema se aproxima.
Estão previstos aguaceiros frequentes, que poderão ser localmente intensos e acompanhados de trovoada. Em alguns momentos, também não está descartada a ocorrência de granizo.
O vento deverá igualmente ganhar intensidade. As previsões indicam que poderão ocorrer rajadas muito fortes em determinados períodos, sobretudo a meio da semana.
Possibilidade de neve nas ilhas montanhosas
Antes da formação completa da depressão fria, a aproximação de ar polar poderá trazer uma descida das temperaturas. De acordo com o Meteored, essa situação abre a possibilidade de queda de neve nos pontos mais elevados do arquipélago dos Açores.
Os mapas meteorológicos mostram essa hipótese para zonas de maior altitude nas ilhas do Pico, Terceira e São Miguel. Ainda assim, os especialistas sublinham que se trata de um cenário que depende da evolução do sistema atmosférico.
Como acontece frequentemente com este tipo de depressões isoladas, a trajetória final pode sofrer alterações nos próximos dias. Isso significa que as previsões poderão ser ajustadas à medida que se aproxima a data prevista para a formação do sistema.
Madeira também sob influência do sistema
No arquipélago da Madeira, os efeitos da depressão fria poderão manifestar-se sobretudo através do vento. Segundo o Meteored, as rajadas poderão atingir valores elevados entre os dias 18 e 20.
Em algumas zonas mais expostas do arquipélago, as rajadas poderão aproximar-se ou mesmo ultrapassar os 100 quilómetros por hora. Este cenário poderá ser acompanhado por períodos de chuva por vezes intensa.
Entre quarta e sexta-feira existe a possibilidade de aguaceiros frequentes associados às linhas de instabilidade geradas pela depressão fria. A intensidade desses episódios dependerá da posição exata do sistema no Atlântico.
Portugal continental poderá sentir efeitos mais moderados
Para Portugal continental, os cenários atuais indicam um impacto mais limitado numa fase inicial. Segundo o Meteored, o sistema deverá posicionar-se sobretudo a oeste da Península Ibérica. Essa localização poderá fazer com que o continente registe apenas tempo variável. Poderão ocorrer períodos de estabilidade alternados com aguaceiros ocasionais, sobretudo nas regiões do Centro e do Sul.
Outro fator que poderá limitar os efeitos diretos é a possível formação de uma ponte anticiclónica entre as altas pressões subtropicais do Norte de África e o anticiclone escandinavo. Essa configuração pode funcionar como uma espécie de barreira parcial à progressão da instabilidade.
Ainda assim, alguns cenários meteorológicos sugerem que a chuva poderá tornar-se mais frequente no final da semana. Caso a depressão fria se desloque para sudeste, os aguaceiros poderão atingir com maior intensidade várias regiões do território continental.
Os meteorologistas lembram, no entanto, que a evolução destas depressões frias isoladas é muitas vezes imprevisível. Por essa razão, a trajetória e os impactos finais do sistema ainda poderão sofrer alterações nos próximos dias.
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