Num momento de elevada tensão diplomática entre Portugal e a Venezuela, o governo de Caracas decidiu revogar a licença de operação da TAP, medida que afeta diretamente a comunidade portuguesa que continua a ser uma das maiores da diáspora nacional. A decisão foi anunciada após um ultimato imposto às companhias aéreas internacionais que tinham suspendido os voos por motivos de segurança, segundo o Correio da Manhã.
O anúncio do governo venezuelano marcou um novo capítulo no conflito aberto que se intensificou ao longo da última semana. Segundo as autoridades de Caracas, a TAP e outras cinco companhias internacionais recusaram retomar os voos dentro do prazo de 48 horas definido pelo executivo de Nicolás Maduro, levando à revogação imediata das respetivas licenças.
Esta suspensão abrange voos essenciais para milhares de portugueses e lusodescendentes residentes na Venezuela, que dependem da ligação aérea para contactos familiares, deslocações profissionais e processos administrativos.
Suspensão de voos após alerta de segurança dos EUA
A crise teve início quando, na semana passada, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos alertou para uma situação considerada potencialmente perigosa devido ao aumento da atividade militar norte-americana na região. O aviso levou várias companhias a suspender de imediato as ligações aéreas para a Venezuela, de acordo com a mesma fonte.
Entre as empresas afetadas encontram-se a Iberia, Avianca, Gol, Turkish Airlines e Latam Colombia, além da TAP. Todas optaram por cumprir o alerta internacional antes de qualquer indicação do governo venezuelano, alegando falta de condições de segurança para tripulações e passageiros.
Foi esta decisão que desencadeou a resposta do regime chavista. Na segunda-feira, o governo de Maduro fixou um prazo de 48 horas para que as transportadoras retomassem a operação. Caso contrário, seriam impedidas de voar para o país, cenário que acabou por se concretizar.
Caracas acusa companhias aéreas de alinharem com Washington
No momento do anúncio, o ministro venezuelano do Interior, Diosdado Cabello, reforçou que cabe ao governo de Caracas decidir quem pode ou não entrar no espaço aéreo nacional. Cabello acusou as companhias aéreas de se juntarem ao que classificou como atos de terrorismo promovidos pelos Estados Unidos, refere a mesma fonte.
A tensão política dominou os comunicados oficiais. Segundo o executivo venezuelano, a suspensão dos voos por parte das seis transportadoras seria uma forma de pressão alinhada com interesses externos, argumento rejeitado por todos os operadores internacionais envolvidos.
Portugal reage e defende posição da TAP
Face à polémica, a TAP justificou a suspensão dos voos com a ausência de condições de segurança mínimas e recordou que mantém o compromisso de continuar a servir a comunidade portuguesa na Venezuela, desde que existam garantias adequadas, segundo aponta o Correio da Manhã.
Em Lisboa, o Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, afirmou que o Governo português não cede a ameaças, ultimatos ou pressões de qualquer natureza. Já o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, considerou que teria sido totalmente irresponsável a TAP continuar a voar para o país após o alerta internacional sobre os riscos na região.
Rangel classificou ainda a reação venezuelana como desproporcionada, reforçando que a prioridade das autoridades portuguesas é a segurança de passageiros e tripulações.
Comunidade portuguesa acompanha situação com apreensão
A decisão de Caracas tem impacto direto na vida de muitos emigrantes. Com mais de meio milhão de portugueses e lusodescendentes a viver na Venezuela, a ligação aérea regular da TAP é considerada essencial para manter a proximidade com Portugal e garantir assistência consular em casos de necessidade.
Enquanto não houver uma solução negociada, centenas de famílias poderão enfrentar dificuldades acrescidas em viagens já complexas devido à instabilidade política e económica do país.
















