O verão de 2025 poderá trazer novas dificuldades ao funcionamento dos serviços de urgência em vários hospitais do país. Apesar das medidas anunciadas, persistem sinais de que os desafios dos anos anteriores se poderão repetir ou mesmo agravar.
Escalas incompletas em áreas essenciais
Segundo o Diário de Notícias, ainda existem hospitais com escalas por preencher nos meses de julho e agosto, nomeadamente nas áreas da Obstetrícia, Pediatria, Medicina Interna, Cirurgia Geral e Ortopedia. Muitas destas escalas estão apenas completas com o recurso a médicos prestadores de serviço, o que levanta preocupações adicionais.
A situação é particularmente grave em algumas zonas da região de Lisboa e Vale do Tejo, onde chefes de equipa das urgências confirmam que há hospitais sem capacidade de manter as urgências abertas sem recorrer a profissionais externos. Alguns médicos já ultrapassaram as 400 horas extraordinárias.
Especialidades críticas com risco de encerramento
A área da Obstetrícia continua a ser uma das mais afetadas. Este fim de semana, os serviços desta especialidade estarão encerrados em hospitais de Setúbal, Barreiro, Vila Franca de Xira, Santarém e Leiria. Também o serviço de urgência pediátrica de Vila Franca de Xira estará encerrado.
Estas interrupções obrigam à reorganização de cuidados em outras unidades da região, aumentando a pressão sobre os serviços em funcionamento. A prioridade tem sido garantir que, em cada região, exista pelo menos uma unidade com urgência aberta, mas essa solução tem implicações no tempo de espera e no acesso dos doentes.
No caso das especialidades cirúrgicas, como Cirurgia Geral e Ortopedia, há hospitais em que mais de metade dos turnos de verão estão ocupados por médicos que não pertencem ao quadro permanente, o que, segundo os especialistas, compromete a continuidade e a qualidade do serviço prestado.
Férias, excesso de horas e desmotivação
No caso das especialidades cirúrgicas, como Cirurgia Geral e Ortopedia, há hospitais em que mais de metade dos turnos de verão estão ocupados por médicos que não pertencem ao quadro permanente, o que, segundo os especialistas, compromete a continuidade e a qualidade do serviço prestado.
Muitos dos profissionais de saúde enfrentam níveis de cansaço e desmotivação elevados. Vários médicos referem que o esforço feito ao longo do ano é insustentável no verão, quando se acumulam férias, mais urgências e turnos prolongados.
“E estas são as especialidades que fazem as urgências gerais. As administrações fecham os olhos e esperam que os médicos resolvam o problema, isso não vai ser possível. As pessoas são as mesmas o ano todo e a maioria já completou 400 ou mais horas extraordinárias. Portanto, este verão será igual ou pior. A exaustão é cada vez maior e a desmotivação também”, como referiu a presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá.
Situação estrutural sem solução à vista
A escassez de recursos humanos no sector da Saúde não é nova. A maioria das administrações hospitalares tenta garantir respostas mínimas, mas sem conseguir colmatar falhas nas escalas, especialmente em períodos de maior procura como o verão.
Tal como refere a mesma fonte, para evitar ruturas totais, as Unidades Locais de Saúde têm coordenado soluções provisórias, como a redistribuição de doentes entre hospitais ou o reforço de serviços com equipas externas. Ainda assim, estas medidas são apenas paliativas.
A Federação Nacional dos Médicos afirma que o feedback que tem recebido indica que a situação está pior do que no verão de 2024, o que poderá levar a novos episódios de encerramento e a um agravamento do acesso aos cuidados de saúde para a população.
Alerta permanece
O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares também referiu que é “praticamente certo” que este verão se repitam os mesmos problemas. Com turnos incompletos, falta de profissionais e aumento da procura, o cenário mantém-se crítico.
O impacto será sentido de forma mais acentuada nas regiões com maior densidade populacional, onde os hospitais funcionam muitas vezes no limite da sua capacidade, mesmo fora da época de verão.
No final, como indicou o Diário de Notícias, tudo dependerá da resposta dos médicos prestadores de serviço e da capacidade de reorganização das unidades hospitalares. Até lá, a incerteza e o risco permanecem.
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