A Polícia Judiciária (PJ) alertou para um novo esquema que está a usar números nacionais para realizar chamadas falsas em nome da própria autoridade. Segundo a PJ, este método tem levado vários cidadãos a acreditar que estão perante um contacto oficial, quando na verdade enfrentam uma tentativa sofisticada de burla. A informação foi divulgada nas redes sociais da instituição, onde se sublinha que o indicativo português se tornou, inesperadamente, uma ferramenta criminosa.
De acordo com o comunicado da PJ, o piquete de quarta-feira recebeu várias denúncias de pessoas que foram abordadas por alegados inspetores. A técnica é simples e perigosa: o número apresentado no visor surge com indicativo nacional, o que reduz a desconfiança de quem atende.
Mas, segundo a mesma publicação, essa aparência de normalidade esconde uma estratégia pensada para gerar medo e levar as vítimas a seguir instruções sem questionar.
Burla imita contactos oficiais da PJ
Segundo a autoridade, os burlões recorrem a uma identificação falsa e afirmam que os dados pessoais da vítima foram usados em crimes de branqueamento de capitais. A abordagem inclui, em muitos casos, a alegação de que existe um suposto mandado de detenção em nome da pessoa contactada.
Depois, surge aquilo que a PJ descreve como a “última tacada”: uma gravação automática que ordena ao utilizador que carregue numa tecla específica, armadilhada para prosseguir a burla.
Perante este tipo de chamada, a PJ recomenda uma ação imediata: desligar e bloquear o número. A instituição alerta ainda que o simples facto de surgir um número nacional não garante qualquer legitimidade. Na publicação, explica que o indicativo português está a ser usado como máscara para contactos internacionais associados a redes criminosas.
Burla em nome da PJ já tinha sido usada com recurso a inteligência artificial
Segundo o Noticias ao Minuto, este não é um fenómeno novo. Há cerca de um ano, a PJ já tinha sido associada a uma campanha “intensa e massiva” de burla, em que grupos estrangeiros recorreram a ferramentas de inteligência artificial para imitar comunicações oficiais. Nessa altura, o coordenador José Ribeiro, da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica, explicou que estas redes conseguem criar abordagens individualizadas, adaptadas ao perfil de cada vítima.
De acordo com a mesma fonte, as vítimas eram informadas de que as suas contas bancárias estavam em risco e conduzidas para falsas linhas de atendimento, onde supostos inspetores lhes pediam para transferir o dinheiro para contas alegadamente seguras. Os burlões, por sua vez, utilizavam números nacionais clonados para reforçar a credibilidade da chamada.
Dois tipos de vítimas e muita dificuldade na investigação
Segundo o responsável da PJ, as campanhas criam dois grupos de lesados: aqueles que acabam por transferir dinheiro e aqueles cujos números telefónicos são usados sem conhecimento para mascarar contactos internacionais.
De acordo com a publicação, os titulares desses números nunca veem qualquer registo no próprio telemóvel, já que o esquema opera apenas como uma camada falsa sobre linhas estrangeiras.
A PJ reforça que o facto de ser um número nacional não significa que a chamada seja rastreável ou que tenha origem em Portugal. E, embora destaque que a inteligência artificial não é o problema em si, reconhece que estas técnicas potenciam o alcance e a eficácia das operações criminosas.
Para quem receber uma chamada suspeita, o conselho é simples: desligar, bloquear e reportar de imediato à Polícia Judiciária, PSP ou GNR.
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