A Pastelaria Moderna vai encerrar antes do Natal e os produtos que marcaram gerações no Barreiro estão a esgotar rapidamente. Os clientes correm para garantir as últimas bolas de manteiga, os últimos palmiers e o derradeiro bolo-rei que não voltará a sair do forno. Esta será a primeira vez em 55 anos que a cidade passa o Natal sem o bolo-rei da Moderna e sem muitos dos doces que se tornaram parte da tradição local.
De acordo com o portal New in Barreiro, o encerramento foi confirmado pelas funcionárias que permanecem ao balcão, numa altura em que a procura aumentou de forma visível. Contam que as bolas de manteiga desaparecem em poucas horas e que muitos clientes levam quantidades elevadas para congelar e guardar como memória.
Filas para comprar uma recordação
Segundo a mesma fonte, a pastelaria não tem data oficial para o fecho, mas a garantia é de que não chegará ao dia 25. Os clientes partilham fotografias, histórias e despedidas nas redes sociais, transformando a página do estabelecimento num espaço de saudade antecipada.
Bolas de manteiga são o cartão de visita do espaço
Acrescenta a publicação os palmiers barrados e as tortas de chocolate ainda resistem nas vitrinas, mas por pouco tempo.
Mesmo assim, o símbolo maior continua a ser a bola grande de manteiga, considerada por muitos como parte da identidade do Barreiro. Refere a mesma fonte que há quem diga que há pessoas que só reconhecem a cidade por esse doce específico.
55 anos de portas abertas e uma história que fica
A New in Barreiro recorda que a Moderna foi fundada em 1970 por João Maria Raimundo, que chegou ao Barreiro ainda adolescente e começou a trabalhar em comércio desde cedo. Depois da guerra em Angola e já regressado ao país, João Maria conciliou dois empregos até conseguir tornar-se dono único da pastelaria. Foi ele quem aperfeiçoou a receita que viria a tornar-se o cartão de visita da casa.
O fecho do espaço fica também marcado pela indefinição em torno do futuro do imóvel, um dos fatores apontados como determinante para a decisão final.
Quando as portas encerrarem, ficará a memória de mais de meio século de produção diária e do aroma das massas que acompanharam manhãs, tardes e celebrações de várias gerações. O Barreiro prepara-se para um Natal diferente, com vitrinas vazias onde antes havia filas.
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