O grupo Jerónimo Martins vai encerrar a operação da marca Hussel em Portugal, colocando um ponto final numa presença que se estendeu por várias décadas no retalho especializado de chocolates e confeitaria. A decisão implica o fecho das 18 lojas atualmente em funcionamento no país e estabelece um prazo máximo para a conclusão do processo.
O encerramento surge após uma avaliação prolongada da sustentabilidade do negócio, num contexto marcado por dificuldades estruturais que, segundo o grupo, não apresentam perspetivas realistas de reversão no médio prazo.
De acordo com o jornal Expresso, o fecho das lojas não será imediato, estando previsto um processo faseado que se prolonga até 30 de abril. O grupo pretende, assim, assegurar uma transição gradual e operacionalmente controlada. Segundo a mesma fonte, esta abordagem permite gerir compromissos contratuais existentes e mitigar impactos junto dos vários intervenientes ligados à operação da marca no mercado nacional.
Trabalhadores com destino assegurado
Escreve o jornal que cerca de 60 trabalhadores integram atualmente a estrutura da Hussel em Portugal, sendo que a maioria tem vínculo laboral efetivo. A Jerónimo Martins assegura que todos terão continuidade de emprego noutras empresas do grupo.
Esta solução passa pela integração em diferentes insígnias do universo Jerónimo Martins a operar em território nacional, garantindo a manutenção dos postos de trabalho.
Insolvência ditou rutura estrutural
De acordo com a administração do grupo, a declaração de insolvência da Hussel GmbH, em 2024, foi um momento determinante para a decisão agora anunciada. A empresa alemã era o parceiro estratégico que suportava a operação portuguesa. Refere a mesma fonte que esta situação comprometeu o modelo de negócio existente, provocando constrangimentos no abastecimento e uma perda significativa de escala operacional.
O agravamento dos custos fixos, em particular das rendas comerciais, contribuiu para a fragilidade da operação, num período em que as margens já se encontravam pressionadas. O Expresso acrescenta que a evolução do preço do cacau teve igualmente um peso relevante, influenciada pela quebra da produção nos principais países exportadores, por fenómenos climatéricos adversos e por novas exigências regulatórias europeias.
Enquadramento do grupo
O grupo Jerónimo Martins opera maioritariamente no setor da distribuição alimentar, com presença em vários mercados europeus e na América Latina, mantendo também uma área dedicada ao retalho especializado. Em 2024, o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos registou vendas de 33,4 mil milhões de euros e lucros de 599 milhões, números que contrastam com a trajetória descendente da marca agora descontinuada em Portugal.
















