Com os dois aterros do Algarve praticamente cheios, o Governo vai estudar a tecnologia e a localização mais adequadas para uma eventual incineradora na região, ao mesmo tempo que rejeita a construção de novos aterros sanitários no país.
A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, confirmou esta sexta-feira, 4 de setembro, que a valorização energética de resíduos é uma das soluções em avaliação para o Algarve, onde, segundo afirmou, a produção de resíduos é o dobro da média nacional.
A Agência Portuguesa do Ambiente deverá lançar, a 15 de outubro, um estudo destinado a identificar “a melhor tecnologia que se adapta ao Algarve e a melhor localização”.
Governo exclui novos aterros sanitários
As declarações foram feitas em Castro Verde, no distrito de Beja, depois de o Governo ter aprovado em Conselho de Ministros a estratégia Terra +, destinada a reduzir a quantidade de resíduos depositados em aterro.
“Não vamos construir novos aterros, porque temos de diminuir a percentagem de deposição de resíduos em aterro”, afirmou Maria da Graça Carvalho aos jornalistas, antes da abertura oficial do festival Castro Mineiro.
O documento tinha sido aprovado na generalidade em abril e esteve depois em discussão pública, incluindo a audição de várias entidades.
A estratégia estabelece como objetivo nacional reduzir para 10% a percentagem de resíduos depositados em aterro até 2035.
Estratégia prevê investimento de 2,3 mil milhões
A Terra + inclui medidas de prevenção, mudança de comportamentos, separação dos resíduos, reutilização, reciclagem e diferentes soluções de tratamento.
O investimento global previsto ascende a 2,3 mil milhões de euros, dos quais 1,6 mil milhões correspondem a financiamento público entre 2026 e 2030.
Segundo a ministra, trata-se de “uma estratégia de investimento a curto, médio e longo prazo até 2034, para resolver os problemas dos resíduos em Portugal”, organizada em vários eixos.
Entre as soluções apontadas estão a redução da quantidade de resíduos produzidos, o reforço da reutilização e da reciclagem e o aproveitamento dos resíduos para a produção de biometano.
Algarve produz o dobro dos resíduos da média nacional
A estratégia considera ainda “a hipótese da valorização energética para algumas regiões em que a situação é ainda mais complexa do que no resto do país”, explicou Maria da Graça Carvalho.
“É o caso do Algarve, que tem, neste momento, os dois aterros praticamente cheios e uma produção de resíduos que é o dobro da média nacional”, afirmou a governante.
A ministra confirmou, por isso, que está em avaliação a possibilidade de construir uma incineradora na região.
Maria da Graça Carvalho salientou que as atuais unidades de valorização energética são “muito diferentes do que eram no passado, muito mais limpas”, dando como exemplo Copenhaga, na Dinamarca, onde existe uma infraestrutura deste tipo “no centro da cidade”.
Ainda assim, advertiu que se trata de uma solução dispendiosa, “que só em último caso é que deve ser utilizada”.
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