A Vasp, principal distribuidora de imprensa em Portugal, está a reavaliar a operação em várias rotas que considera deficitárias. Em causa está a possibilidade de algumas zonas do país sem jornais e revistas de forma regular, caso não surjam soluções que viabilizem o serviço nos moldes atuais.
Rotas em risco no interior
A empresa admite ajustamentos nas rotas de oito distritos: Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança. O “Correio da Manhã” apontou janeiro como data possível para mudanças, mas fonte oficial da Vasp afirmou que há vários cenários em análise e que nenhuma decisão definitiva foi tomada.
Segundo a Vasp, a avaliação em curso pretende minimizar o impacto sobre editores, pontos de venda e populações. A empresa reforça que continua a estudar alternativas antes de qualquer alteração operacional.
Custos e quebras de receitas
A distribuidora descreve uma conjuntura financeira exigente resultante da quebra continuada das vendas de imprensa e do aumento significativo dos custos operacionais. Este contexto coloca sob pressão a sustentabilidade da atual cobertura diária, sobretudo em regiões do interior.
Perante esta realidade, a Vasp está a reavaliar o modelo operativo e logístico. A empresa sublinha que a análise inclui diferentes hipóteses para salvaguardar a continuidade global da operação, refere o Expresso.
Coesão territorial em causa
A Vasp afirma estar comprometida com o acesso universal à informação, considerando-o essencial para a coesão territorial e a igualdade de oportunidades. A empresa alerta que a restrição desse acesso penaliza populações de baixa densidade e aprofunda assimetrias regionais.
Há já dois concelhos onde não chega imprensa diária impressa, Marvão e Vimioso. Este cenário alimenta a preocupação de ver mais áreas do país sem jornais e revistas se não forem encontradas soluções.
O que pode acontecer a seguir
A empresa garante respeito pelos acordos com editores e pontos de venda, mas admite que terá de rever a configuração de algumas rotas se a operação se tornar financeiramente insustentável. Essa revisão poderá traduzir-se em ajustamentos de percursos ou em mudanças de frequência de distribuição, dependendo do resultado das negociações.
O Governo ainda não operacionalizou o plano de apoio à distribuição de imprensa anunciado no primeiro executivo de Luís Montenegro. A Vasp afirma manter disponibilidade para um diálogo construtivo com editores, entidades públicas e parceiros institucionais.
Sem decisões finais, a empresa continuará a avaliar soluções que reduzam o impacto sobre o ecossistema da imprensa. Caso não haja medidas que compensem a subida de custos e a queda de receitas, partes do território poderão enfrentar cortes duradouros na distribuição diária.
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