O Farol do Bugio, uma das construções mais singulares da foz do Tejo, volta a receber visitantes este mês através de um programa que permite conhecer o interior desta fortificação histórica. Situado entre Oeiras e Almada, o monumento destaca-se pela localização isolada em pleno rio e pelo passado que o transformou em muito mais do que um simples ponto de sinalização marítima. De acordo com a NiT, as visitas integram mais uma edição da iniciativa “Vá Bugiar”, com passeios de barco e acesso guiado ao interior.
Durante cerca de hora e meia, os participantes podem percorrer alguns dos espaços mais emblemáticos da estrutura e conhecer episódios que atravessaram séculos da história portuguesa. Segundo a mesma fonte, as visitas estão agendadas para os dias 16, 17, 23, 24, 30 e 31 de maio, mediante inscrição prévia.
Um forte antes de ser farol
Muito antes de se afirmar como referência visual na barra de Lisboa, a construção nasceu como Forte de São Lourenço do Bugio. A obra começou por volta de 1578 e viria a ser ampliada alguns anos depois por ordem de Filipe II de Espanha, escreve o jornal.
A forma circular, pouco habitual na arquitetura militar da época, respondia à necessidade de resistir ao impacto constante das marés e proteger a entrada marítima da capital. Acrescenta a publicação que o forte foi desenhado para reforçar a defesa do litoral e travar ataques inesperados.
Histórias de guerra e clausura
Ao longo dos séculos, o Bugio assumiu funções distintas. Além da vigilância militar e da orientação noturna aos navegadores, o espaço serviu também como prisão e até como colégio destinado aos filhos de militares.
Refere a mesma fonte que uma das figuras ali detidas foi Gomes Freire de Andrade, acusado de conspiração contra o regime de D. João VI. O militar acabou por ser executado depois de um período de cativeiro naquele espaço.
Destruição e o renascimento
O terramoto de 1755 deixou marcas profundas na estrutura. A torre foi destruída e só cerca de duas décadas depois voltou a erguer-se, numa recuperação impulsionada pelo Marquês de Pombal.
Conforme a mesma fonte, foi nessa fase que o ponto mais elevado passou a receber iluminação permanente, inicialmente alimentada a azeite. Mais tarde, o sistema evoluiu para petróleo e, já em meados do século XX, para energia elétrica.
Dia em que deixou de ter faroleiro
Durante décadas, o Bugio teve presença humana permanente. Famílias inteiras viviam no local e garantiam a manutenção diária do farol, dependendo das marés para qualquer deslocação.
A NiT explica que esse modelo terminou em 1981, quando foi instalado um sistema automático que passou a ser controlado remotamente pela Direção de Faróis. Desde então, o espaço deixou de precisar de faroleiros residentes.
O que se pode ver lá dentro
Apesar de normalmente estar encerrado, o interior preserva vários espaços históricos. Entre eles estão as antigas prisões, a cisterna, a torre principal, as portas de mar e a Capela de Nossa Senhora da Conceição.
Segundo a mesma fonte, há ainda a chamada Praça do Infante, o revelim defensivo e antigas áreas de receção militar. Para participar nas visitas ao Farol do Bugio, a inscrição custa 35 euros e deve ser feita por contacto direto com a organização, sendo recomendado levar água, calçado firme e proteção solar.
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