O Governo abriu candidaturas para o programa E-lar, que financia a substituição de aparelhos a gás por equipamentos elétricos. Mas nem todas as trocas de eletrodomésticos são vantajosas, alerta a DECO PROteste, que já fez as contas para perceber onde está a poupança, e onde ela não existe.
Este programa disponibiliza vouchers para substituir esquentadores por termoacumuladores, fogões por placas elétricas e fornos a gás por fornos elétricos. À primeira vista, a medida parece uma oportunidade para reduzir custos e emissões. Mas a análise mostra que a realidade pode ser bem diferente, sobretudo em casas que ainda dependem do gás engarrafado.
Esquentador ou termoacumulador?
Segundo a DECO PROteste, a troca de esquentadores a gás por termoacumuladores dificilmente compensa. Para um agregado de quatro pessoas, o consumo anual de energia aumenta, e a fatura sobe também. Se com gás natural a diferença já não é favorável, com gás de botija o resultado é ainda mais penalizador.
A alternativa mais eficiente, as bombas de calor, não está contemplada no programa. Assim, os consumidores que optarem pelo voucher arriscam-se a pagar mais no final do mês por aquecer água.
Capacidades limitadas
O regulamento prevê apenas a compra de aparelhos de classe energética A ou superior. Porém, a maioria dos modelos disponíveis no mercado tem capacidade reduzida — cerca de 30 litros —, insuficiente para o consumo normal de uma família.
Após alertas da associação de consumidores, o Governo alargou o apoio também a equipamentos de classe B, mas apenas em capacidades acima dos 30 litros. Ainda assim, famílias numerosas podem sentir limitações e ter de gerir os banhos em horários diferentes.
Fogão ou placa elétrica?
Nem todas as trocas de fogão compensam. Para quem tem gás natural, só a placa de indução representa vantagem. Já a vitrocerâmica traduz-se em custos mais elevados a longo prazo.
Com gás de botija, a equação muda. Nestes casos, tanto a indução como a vitrocerâmica são mais económicas do que manter o fogão a gás. A diferença mais significativa sente-se com as placas de indução, que aliam poupança a menor impacto ambiental.
Forno: a troca que vale a pena
Aqui não há dúvidas. A substituição de um forno a gás por um forno elétrico representa vantagem em todos os cenários. O consumo desce, as emissões reduzem e a fatura final torna-se mais leve.
Sete preocupações da DECO PROteste
Apesar dos ajustes feitos pelo Ministério do Ambiente, a DECO PROteste continua a levantar dúvidas sobre a eficácia do programa E-lar:
- O voucher só pode ser usado num único fornecedor, o que limita a concorrência.
- Há risco de vendas cruzadas, obrigando à contratação de transporte e instalação na mesma loja.
- Em vez de incentivar a eficiência energética, promove-se o consumo de mais eletricidade.
- Bombas de calor, mais eficientes, ficaram de fora.
- A substituição de aparelhos a gás implica tamponar saídas, custo não previsto no programa.
- Muitas instalações elétricas podem não suportar os novos equipamentos sem obras adicionais.
- O aumento de potência contratada junto da fornecedora de eletricidade pode implicar mais 2 euros mensais por nível, e nalguns casos será preciso subir mais do que um nível.
Vale mesmo a pena?
As conclusões são claras: nem todas as trocas financiadas pelo programa E-lar compensam. Em algumas situações, o apoio pode até traduzir-se em faturas mais pesadas.
A recomendação da DECO PROteste é fazer bem as contas antes de aderir, avaliando não só o custo imediato, mas também o impacto mensal e as necessidades reais da família.
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