Todos os meses, milhares de portugueses olham para a fatura da operadora e sentem o mesmo desconforto. Entre televisão, internet, telefone fixo e telemóveis associados, não é raro encontrar contas que chegam aos 70, 80 ou mesmo 100 euros mensais. A dúvida impõe-se: estarão os consumidores a pagar mais do que deveriam pelas comunicações em Portugal?
De acordo com dados avançados pela ANACOM e citados pelo site especializado em lifestyle, Leak, os preços dos serviços de telecomunicações no país subiram 5,8% em apenas um ano, um aumento bem acima da média registada na União Europeia. Em contexto de inflação, esta subida acentua ainda mais o peso das comunicações no orçamento familiar.
Hoje, um pacote médio de uma operadora com televisão, internet fixa e telefone custa entre 60 e 90 euros por mês. Ao final do ano, a conta varia entre 720 e 1080 euros. Se se juntarem serviços móveis, esse valor facilmente ultrapassa os mil euros.
O peso da comparação internacional
Ao observar o que se passa nos países vizinhos, percebe-se que Portugal continua a destacar-se entre os mais caros da Europa. Em Espanha, pacotes semelhantes rondam os 40 a 50 euros mensais.
Em França, é possível contratar internet e chamadas por menos de 30 euros. Em Itália, o mercado é mais competitivo e surgem ofertas low-cost a partir dos 25 euros.
Segundo a mesma fonte, esta diferença tem explicação: em Portugal, o mercado é dominado por três grandes operadores, MEO, NOS e Vodafone, que concentram a maioria dos clientes. Apesar de existirem empresas mais pequenas, a concorrência real é limitada, funcionando muitas vezes como um oligopólio.
Serviços a mais e cláusulas escondidas
Muitos consumidores pagam por serviços que raramente utilizam. O telefone fixo tornou-se praticamente obsoleto, a maioria dos canais de televisão fica esquecida e as boxes acrescem mensalmente à fatura.
Para além disso, diversos contratos incluem aumentos automáticos indexados à inflação, fazendo com que o preço suba todos os anos, mesmo sem melhorias visíveis na qualidade do serviço.
Outro entrave é a fidelização. Os contratos de 24 meses dificultam a mobilidade e mantêm clientes presos a pacotes mais caros, sob pena de enfrentarem penalizações elevadas se rescindirem antecipadamente.
Estratégias para baixar a fatura
Especialistas do setor, referidos pela mesma fonte, recomendam três passos simples. Em primeiro lugar, analisar se todos os serviços incluídos são realmente usados. Em segundo, verificar há quanto tempo o contrato não é revisto. Clientes antigos tendem a ter condições menos favoráveis. Por último, comparar preços regularmente.
Explica a Leak que uma chamada para a operadora pode fazer a diferença: muitas vezes, ao ameaçar cancelar o contrato, surgem descontos imediatos. Cortar extras desnecessários também reduz a conta anual em cerca de 200 euros. Já a mudança para operadores low-cost pode representar uma poupança de até 400 euros por ano.
Na prática, as contas podem encolher em 600 a 700 euros se estas estratégias forem combinadas. O impacto equivale, em alguns casos, a um rendimento extra de um mês.
Ainda assim, a mesma publicação sublinha que a maioria dos clientes não compara preços, não negoceia e aceita aumentos sucessivos sem questionar, perpetuando um dos mercados de telecomunicações mais caros da Europa.
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