O castelo de Leiria está temporariamente encerrado ao público após os danos provocados pela tempestade Kristin, que atingiu a região há cerca de um mês, deixando a estrutura em risco e levantando dúvidas quanto à sua estabilidade. O monumento, símbolo maior da cidade e um dos espaços culturais mais visitados do concelho, enfrenta agora um período de incerteza enquanto se avaliam intervenções necessárias.
De acordo com a SIC Notícias, parte da muralha da Torre de Menagem ruiu na sequência do mau tempo, com pedras a ficarem amontoadas no chão no interior do recinto. A publicação refere que o impacto do vento colocou o castelo “em risco de colapso”, obrigando ao encerramento preventivo.
Erguido num morro sobre a cidade, o castelo foi particularmente exposto à força da tempestade. Segundo a mesma fonte, a Torre de Menagem foi uma das estruturas afetadas, com queda de elementos da muralha que evidenciam a fragilidade causada pelo fenómeno meteorológico.
Dentro do recinto, os estragos estenderam-se à zona verde. Cerca de 30 árvores de grande porte, com aproximadamente 80 anos, foram derrubadas ou ficaram severamente danificadas, tendo sido necessárias operações de limpeza antes de se avaliar o impacto estrutural global.
Um símbolo com séculos de história
Mandado construir em 1135 por D. Afonso Henriques, entre Coimbra e Santarém, o castelo ocupa uma elevação rochosa a sul da confluência do rio Lis com o Lena. Segundo a informação disponibilizada no site da Câmara Municipal de Leiria, o monumento guarda vestígios de várias fases de ocupação, desde fortaleza militar a palácio real.
A autarquia sublinha que “ainda hoje o Castelo de Leiria permanece como um símbolo monumental da nossa história”, mantendo no interior das muralhas marcas de diferentes períodos da monarquia portuguesa.
Ao longo dos séculos, vários monarcas passaram por Leiria. A Câmara Municipal de Leiria recorda que D. Dinis terá permanecido na cidade com a Rainha Santa Isabel, estando associados a ambos episódios que alimentaram a tradição local, como o chamado Milagre das Rosas. Foi também a D. Dinis que se atribuem intervenções relevantes no castelo, incluindo a reconstrução e ampliação da Torre de Menagem e a reforma da Igreja de Santa Maria da Pena, explica o site municipal.
De palácio real a quase abandono
Já no reinado de D. João I, foram construídos os Paços Novos do Castelo e adaptada Santa Maria da Pena a capela palaciana, acrescenta a autarquia, evidenciando a evolução funcional do espaço ao longo do tempo. Séculos mais tarde, o terramoto de 1755 e as invasões francesas provocaram novos danos, levando o monumento a um período de degradação e quase abandono, refere a mesma fonte.
No início do século XX, a Liga dos Amigos do Castelo e o arquiteto suíço Ernesto Korrodi promoveram obras de recuperação que reaproximaram o monumento da população local. Mais recentemente, em 2021, foram concluídas intervenções de requalificação em grande parte do espaço.
Segundo a Câmara Municipal de Leiria, essas obras permitiram valorizar o património e reforçar o potencial turístico, incluindo a transformação de uma das cisternas em espaço visitável e de exposições, bem como a instalação de dois acessos mecânicos gratuitos para tornar o castelo mais inclusivo.
Futuro por definir
As intervenções recentes foram distinguidas com o Prémio Reabilitação Urbana na categoria Espaços Públicos dos Prémios SIL do Imobiliário 2022 e com uma menção honrosa no Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2022, conforme a informação municipal.
Apesar desse percurso de valorização, o presente impõe cautela. Segundo a SIC Notícias, o monumento, que registou mais de 177.000 entradas no ano passado, permanece encerrado e aguarda avaliação técnica para determinar os próximos passos. Para já, quem sobe ao morro encontra as portas fechadas e um símbolo histórico temporariamente suspenso no tempo.
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