A estrada municipal 1109, que liga São Torpes a Porto Covo pela faixa costeira do concelho de Sines, vai permanecer encerrada durante cerca de três meses, ou seja até ao início de junho, devido ao colapso de um troço provocado por um aluimento de terras. A intervenção necessária para repor a circulação automóvel deverá custar mais de um milhão de euros.
O incidente ocorreu na zona de Morgavel, na sequência de uma descarga da barragem local, num contexto de sucessivas tempestades que atingiram o país na primeira metade de fevereiro.
De acordo com o jornal Expresso, a derrocada foi causada por uma descarga da barragem de Morgavel, a primeira desde que a infraestrutura entrou em funcionamento, em 1980. A força da água acabou por arrastar parte da estrada, tornando-a intransitável. Segundo a mesma fonte, o troço afetado integra o percurso costeiro que liga as duas únicas freguesias do concelho, Sines e Porto Covo, passando por várias praias ao longo do litoral.
Três meses de obra e custos elevados
Em entrevista à publicação, o presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, estimou que a reparação poderá demorar cerca de três meses. “Em três meses de obra é possível reparar” a estrada, afirmou, acrescentando que existem “algumas estimativas na ordem de um milhão de euros, ou mais”.
O autarca sublinhou que já foram encetados contactos com empresas para avaliar soluções técnicas. “Já estamos a estudar soluções em termos de engenharia e já reunimos com empresas que nos contactaram para a reparação do local”, disse.
Álvaro Beijinha defende que existe uma relação direta entre a descarga da barragem e o colapso da via. “Na minha ótica, a Águas de Santo André é responsável, porque há um nexo de causalidade entre a descarga da barragem e o troço ter colapsado”, declarou ao jornal. O presidente da câmara acrescentou ainda que “a estrada é municipal, mas quem provocou aquilo foi a barragem, que é gerida pela Águas de Santo André”, empresa do grupo Águas de Portugal.
Sistema hidráulico sob escrutínio
O autarca explicou que o problema não está relacionado com uma ponte, mas com um sistema hidráulico sobre a ribeira de Morgavel. “Não se trata de uma ponte, mas sim de um sistema hidráulico sobre a ribeira de Morgavel. Pela primeira vez em 40 anos a barragem descarregou e levou a estrada atrás. Em termos de engenharia, seguramente, não ficou bem feito. Quem dimensionou, dimensionou mal”, afirmou.
A Câmara Municipal de Sines e a Águas de Santo André comprometeram-se a trabalhar em conjunto para encontrar uma solução que permita repor a circulação e o sistema hidráulico da zona com a maior brevidade possível.
Impacto na circulação e no turismo
Com o corte da CM 1109, o acesso a Porto Covo tem de ser feito através da estrada nacional 120-1, o que representa um acréscimo de cinco a seis quilómetros e cerca de 20 minutos ao tempo de viagem, refere o presidente da autarquia.
“Cria um problema para o turismo e para os restaurantes. Temos um em São Torpes e mais três perto do local afetado. Depois há outros dois que só estão acessíveis pelo lado de Porto Covo”, afirmou Álvaro Beijinha, acrescentando que existe uma estrada de terra batida que poderá ser melhorada para facilitar o acesso.
Pedido de intervenção urgente
Entretanto, o município solicitou à Infraestruturas de Portugal uma intervenção urgente na EN 120-1, alegando que o estado da via se agravou nas últimas semanas. Segundo o autarca, a estrada encontra-se “praticamente intransitável com múltiplas depressões, extensos lençóis de água e situações que colocam em risco a segurança rodoviária”.
A barragem de Morgavel, gerida pela Águas de Santo André, integra o sistema de abastecimento de água industrial à Zona Industrial e Logística de Sines.
Com capacidade para armazenar 30 hectómetros cúbicos de água, a albufeira pode garantir cerca de um ano e meio de reserva para os consumos atuais, explica o Expresso, contextualizando a relevância da infraestrutura cuja descarga esteve na origem do colapso da estrada.
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