Os planos de viagem dos passageiros continuam a enfrentar um cenário de incerteza no setor da aviação, marcado por preocupações relacionadas com o abastecimento de combustível, tensões geopolíticas e possíveis impactos nos preços dos voos. É neste contexto que a TAP anunciou uma alteração temporária nas condições de remarcação dos bilhetes.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a companhia aérea portuguesa vai isentar a taxa de alteração em todos os bilhetes emitidos entre agora e 15 de junho. A medida aplica-se aos vários mercados onde a TAP opera e pretende dar aos passageiros maior flexibilidade no momento da reserva.
O que muda para os passageiros
A isenção permite que os clientes alterem as datas das viagens sem terem de pagar a habitual taxa de remarcação. Segundo a mesma fonte, a alteração deverá, no entanto, respeitar a validade original do bilhete emitido.
A TAP esclarece ainda que a remarcação terá de ficar concluída até sete dias antes da partida do voo de ida. Acrescenta a agência noticiosa que a isenção não elimina eventuais diferenças tarifárias, caso a classe inicialmente reservada já não esteja disponível no momento da alteração.
Medida num momento delicado
O anúncio surge numa altura em que o setor aéreo europeu acompanha com atenção a evolução da crise energética e das tensões no Médio Oriente. Conforme a mesma fonte, a guerra no Irão e os constrangimentos relacionados com o estreito de Ormuz têm levantado preocupações sobre o abastecimento e os preços dos combustíveis.
Nos últimos dias, várias entidades europeias e internacionais pronunciaram-se sobre os possíveis impactos no transporte aéreo. A Comissão Europeia chegou mesmo a adotar novas orientações relacionadas com cancelamentos de voos associados à escassez de querosene.
Bruxelas esclarece regras
Segundo a Lusa, Bruxelas considera que uma eventual falta de combustível pode ser enquadrada como circunstância extraordinária, o que poderá afastar o direito dos passageiros a indemnizações em caso de cancelamento de voos.
Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia esclareceu que preços elevados dos combustíveis não devem ser automaticamente considerados circunstâncias extraordinárias. Refere a mesma fonte que o executivo comunitário proibiu ainda a aplicação retroativa de sobretaxas de combustível, exceto em determinadas situações relacionadas com pacotes de férias previstos contratualmente.
TAP mantém operação alargada
Atualmente, a TAP assegura mais de 1.250 voos por semana para 88 cidades distribuídas por vários continentes. Explica a mesma fonte que a rede da companhia inclui ligações para dez destinos na América do Norte, 15 na América do Sul, 13 em África e Médio Oriente, sete em Portugal e 43 em restantes países europeus.
A decisão de flexibilizar alterações nos bilhetes pretende, segundo a transportadora aérea, oferecer uma “camada adicional de confiança” aos clientes numa fase em que muitos passageiros continuam atentos à evolução do contexto internacional.
Papel do combustível em Portugal
Apesar das preocupações no setor, a Galp garantiu recentemente que não prevê perturbações significativas no fornecimento de combustível para a aviação em Portugal nos próximos meses.
A petrolífera portuguesa assegura, através da refinaria de Sines, cerca de 80% das necessidades de combustível dos aeroportos nacionais. A empresa afirmou existir stock adequado e fornecimentos de jet fuel já contratados.
Medidas adotadas pela Galp
Importa ainda destacar que a empresa implementou desde março várias medidas para reforçar a capacidade de resposta do sistema, incluindo maior monitorização da procura, reforço de inventários e diversificação das origens de abastecimento.
A Galp explicou ainda que, no atual contexto geopolítico, o aprovisionamento privilegiará importações oriundas dos Estados Unidos, da África Ocidental e de vários mercados europeus.
Receio de cancelamentos mantém-se
Apesar das garantias dadas pelas autoridades europeias e pelas empresas do setor energético, continuam a existir alertas sobre possíveis impactos futuros na aviação.
A Agência Internacional de Energia admitiu recentemente que a Europa poderá ter combustível para aviões apenas até ao final de junho, caso persistam bloqueios no abastecimento de petróleo. Já a Associação das Companhias Aéreas em Portugal reconheceu que, para já, não existem efeitos diretos na operação, mas admite cenários de cancelamentos e subida de preços caso a crise energética se prolongue.
Leia também: É oficial: feriados em junho calham nestes dias e alguns são ideais para fazer ‘escapadinhas’















