Os cruzeiros continuam a afirmar-se como uma das formas mais procuradas de viajar, combinando conforto, múltiplos destinos e uma experiência organizada que atrai cada vez mais passageiros. No entanto, há um detalhe administrativo que pode comprometer a viagem ainda antes de o navio largar amarras: a falta da documentação exigida pela companhia, incluindo seguro de viagem válido.
Nos últimos anos, o setor dos cruzeiros tem registado números históricos, segundo dados da Cruise Lines International Association, que indicam que 2,4 milhões de passageiros embarcaram em 2024, um recorde que confirma o crescimento consistente desta modalidade. Paralelamente, um estudo da YouGov revelou que 10% dos britânicos tencionavam fazer um cruzeiro no espaço de um ano, sinal de que a procura continua a aumentar, de acordo com o jornal britânico The Mirror.
Este crescimento não se limita aos públicos mais velhos. A idade média dos passageiros tem vindo a descer e os viajantes entre os 20 e os 39 anos representam já cerca de 20% dos passageiros a nível mundial, refletindo uma mudança no perfil tradicional deste tipo de férias.
Seguro obrigatório em várias companhias
Com o aumento da procura, algumas companhias reforçaram as exigências no momento do embarque. A seguradora Post Office Travel Insurance alertou que passageiros sem seguro de viagem válido podem ser impedidos de embarcar, dependendo das regras impostas pela operadora.
A publicação especializada World of Cruising explica que, ao contrário das férias em terra, muitos cruzeiros exigem prova de seguro no check-in, sobretudo quando os itinerários incluem destinos fora da União Europeia, onde os custos médicos podem ser particularmente elevados.
Cada operador define as suas próprias regras
Importa sublinhar que não existe uma norma única aplicável a todas as companhias. Algumas limitam-se a recomendar seguro, enquanto outras exigem coberturas mínimas específicas, nomeadamente para despesas médicas, interrupção de viagem ou repatriamento.
Por esse motivo, os especialistas, citados pelas mesmas fontes, aconselham que os passageiros confirmem previamente as condições junto da companhia ou do operador turístico, evitando deslocações ao porto sem a documentação exigida.
Riscos mais frequentes num cruzeiro
A Post Office Travel Insurance identifica cinco situações que justificam a importância de um seguro específico dos passageiros para cruzeiros. Uma das mais comuns é a perda de escalas devido a alterações de rota provocadas por condições meteorológicas adversas ou restrições portuárias, o que pode significar a perda de excursões já pagas.
Outra situação frequente é o confinamento na cabine por motivos de saúde, especialmente em casos de doenças contagiosas a bordo. Nestes cenários, o passageiro pode ficar impedido de usufruir de refeições, espetáculos ou atividades incluídas no pacote, de acordo com a mesma fonte.
Também as alterações inesperadas de itinerário podem gerar despesas adicionais com transportes ou alojamento em terra, caso o viajante tenha organizado ligações independentes. Já em situações de emergência médica, os custos podem ser elevados, sobretudo se for necessária evacuação para um hospital em terra.
“Com a espontaneidade, vem também a responsabilidade”
Adam Edinburgh, responsável da Post Office Travel & New Products, afirmou: “Os cruzeiros tornaram-se uma das formas mais entusiasmantes de viajar, especialmente para as gerações mais jovens que procuram flexibilidade e aventura. Mas com a espontaneidade vem também a responsabilidade.” O responsável, citado pelo Mirror, acrescenta que o objetivo é garantir que a viagem decorra sem imprevistos e com total tranquilidade para os passageiros.
Num contexto de crescimento acelerado do setor, a recomendação é clara: antes de embarcar, é fundamental confirmar todos os requisitos documentais exigidos pela companhia, incluindo o seguro de viagem, sob pena de a experiência terminar ainda no cais.















