A digitalização dos processos de viagem facilitou a vida a milhões de turistas, mas abriu também novas oportunidades para burlas. Um turista contou ter sido vítima de uma fraude ao tentar obter um visto para viajar para o Canadá através de um site que parecia oficial. Depois de introduzir os dados bancários, recebeu uma chamada do banco a alertar que tinha sido vítima de uma burla. O caso, revelado pela associação de consumidores britânica Which?, está a servir de aviso a viajantes de toda a Europa, incluindo portugueses.
O especialista financeiro Simon Dicey explicou que estas burlas estão a tornar-se mais frequentes. “Ficamos satisfeitos por saber que não perdeu dinheiro. É cada vez mais difícil distinguir os sites oficiais de governos estrangeiros das cópias fraudulentas, como o que utilizou”, afirmou.
Dicey acrescentou que “tem havido uma vaga de burlas ligadas aos pedidos de visto para o Canadá” e aconselhou os viajantes a começarem sempre pelos portais oficiais dos governos, onde estão disponíveis ligações verificadas para as páginas de consulados e embaixadas.
Dados pessoais em risco
Segundo o jornal Daily Mail, mesmo sem perda financeira direta, as vítimas podem ver os seus dados pessoais utilizados em esquemas de fraude. “Os burlões podem usar as suas informações para fazer pedidos em seu nome. Embora não seja responsável por eventuais perdas, deve considerar o registo no serviço Protective Registration da Cifas, que custa 30 libras (cerca de 35 euros) por dois anos e garante verificações adicionais em qualquer pedido financeiro feito com o seu nome”, explicou o mesmo especialista.
Burlas aumentam com o novo sistema europeu
O caso surge numa altura em que entrou em vigor o novo sistema europeu de controlo de fronteiras, conhecido como Entry/Exit System (EES), que pretende tornar mais rápidas as verificações em aeroportos. O EES obriga titulares de passaportes de países fora da União Europeia e viajantes que cruzem fronteiras Schengen a fornecer dados biométricos e impressões digitais.
Por agora, não é necessário qualquer visto adicional para quem já está isento, mas a confusão tem sido aproveitada por burlões que tentam enganar turistas através de sites falsos, refere a mesma fonte.
O que muda com o ETIAS
A situação pode agravar-se em 2026, quando for implementado o European Travel Information and Authorisation System (ETIAS). O novo sistema obrigará cidadãos de países que não precisam de visto, como o Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Austrália, a obter uma autorização eletrónica antes de entrarem no espaço Schengen para estadias curtas.
Este requisito aplicará-se a 30 países europeus, incluindo todos os Estados-membros da União Europeia (exceto a Irlanda), além da Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça.
Alguns viajantes têm confundido o atual EES, que já está ativo e não exige candidaturas, com o futuro ETIAS, o que tem facilitado a ação dos burlões.
Mais de 60 sites falsos já detetados
A associação britânica de agências de viagens e operadores turísticos ABTA confirmou que os criminosos estão a tirar partido dessa confusão. “As pessoas que tentem candidatar-se ao ETIAS agora correm o risco de fraude, podendo perder dinheiro ou ver os seus dados pessoais comprometidos”, alertou à EuroNews.
De acordo com a associação, já foram identificados mais de 60 sites falsos que alegam vender a autorização ETIAS, uma fraude dirigida a quem planeia viajar e desconhece que o sistema ainda não está disponível. Quando o sistema for lançado oficialmente, os pedidos só poderão ser feitos através do site da União Europeia.
Segundo o Daily Mail, o diretor de Assuntos Públicos da ABTA, Luke Petherbridge, reforçou que “a União Europeia quer deixar claro que existe apenas um site oficial para a compra da autorização ETIAS e que os viajantes não devem recorrer a outros canais”.
E os portugueses?
Embora os cidadãos portugueses não precisem de qualquer visto ou autorização para circular dentro do espaço Schengen, as burlas podem também visá-los quando tratam vistos eletrónicos de outros países, como o Canadá ou os Estados Unidos. Nestes casos, o pedido deve ser feito apenas nos sites oficiais, terminados em .gc.ca (Canadá) ou .gov (EUA), e nunca em páginas intermediárias que cobram taxas adicionais.
A fraude aproveita-se de quem está prestes a viajar e acaba por confiar em páginas falsas que imitam portais governamentais.
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