Esta erva aromática, presença habitual na dieta mediterrânica, tem suscitado interesse académico desde que vários estudos sugeriram ligações entre o seu perfume e funções cognitivas como a memória. Equipas britânicas investigaram de que forma os compostos voláteis libertados pela planta, quer pela difusão do óleo essencial num espaço fechado quer pelo fumo resultante da queima de ramos secos, prática tradicionalmente usada para melhorar a clareza mental e a recordação, segundo guias etnobotânicos modernos, podem influenciar a capacidade de lembrar tarefas futuras, fenómeno conhecido por memória prospectiva.
Trata-se do alecrim. De acordo com o Diário do Litoral, participantes expostos ao aroma do seu óleo essencial obtiveram melhores resultados em testes de memória prospectiva do que um grupo que inalou ar neutro.
O ensaio, realizado na Universidade de Northumbria, envolveu sessenta e seis voluntários adultos. Uma verificação independente da organização britânica Full Fact, apoiada em declarações do investigador Mark Moss, corrigiu o valor divulgado pelos media: a melhoria média ficou em torno dos 7%, não nos 75% inicialmente citados.
Desenho experimental
Segundo a equipa de Northumbria, cada voluntário permaneceu cinco minutos numa sala onde um difusor libertara previamente quatro gotas de óleo essencial desta planta. Em seguida, executou provas que exigiam recordar instruções após um intervalo. O grupo de controlo realizou tarefas idênticas numa divisão sem odor perceptível.
Resultados quantitativos e mecanismos bioquímicos
Os participantes expostos ao perfume apresentaram melhor desempenho em tarefas de evento, como “entregar um objeto ao ouvir um sinal”, e de tempo, como “tocar num botão às quinze horas”. Não se observaram alterações de humor ou de estado de alerta, o que aponta para um mecanismo específico ligado a compostos da planta.
Análises sanguíneas revelaram concentrações mais altas de 1,8-cineol, terpeno associado à consolidação de memórias.
Debate sobre a magnitude do ganho
A cifra de 75% popularizou-se na imprensa, mas a Full Fact classificou-a como infundada, esclarecendo que o ganho real ronda os 7% e que valores mais elevados surgem apenas em medidas pontuais.
Implicações para investigações futuras
Num comunicado posterior, a Universidade de Northumbria anunciou novos ensaios com amostras maiores, diferentes idades e tempos de exposição diversos, para validar a consistência dos efeitos e definir parâmetros seguros de dose e duração.
Está igualmente em estudo o isolamento do 1,8-cineol para verificar se o composto, por si só, reproduz os ganhos observados com o óleo integral.
Possíveis aplicações clínicas
Investigadores citados pelo Diário do Litoral salientam que intervenções não invasivas baseadas em estímulos aromáticos poderão ser úteis para populações idosas ou para pessoas com défices de memória associados a condições clínicas, desde que ensaios futuros confirmem a eficácia e a segurança da abordagem.
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