Beber café é um dos primeiros gestos do dia para milhões de pessoas. Há quem não dispense uma chávena ao acordar e outra a meio da manhã para ganhar energia. O consumo moderado pode ser benéfico, mas segundo um especialista, citado pelo jornal digital HuffPost, nem todos os tipos de café têm o mesmo impacto na saúde. A diferença está no grau de torra e na forma como altera os compostos naturais do grão.
Entre os benefícios mais reconhecidos do café estão as suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e anticancerígenas, bem como a capacidade de melhorar o microbioma intestinal e regular o metabolismo da glicose e das gorduras.
Contudo, esses efeitos variam conforme o tipo de torra. O doutor William A. Wallace, especialista em alimentação e bem-estar, explica que quanto mais torrado for o café, menos saudável é.
O que muda com o grau de torra
“Os grãos de café estão repletos de ácidos clorogénicos, compostos vegetais que ajudam a regular o açúcar no sangue, a proteger os vasos sanguíneos e a atuar como antioxidantes. O processo de torra altera a quantidade desses compostos que chega à chávena”, explica o especialista.
Nos cafés de torra clara, a quantidade de polifenóis é de cerca de 9,45 mg/g, dos quais 8 mg correspondem a ácidos clorogénicos. Este tipo de torra preserva melhor os compostos naturais do grão, favorecendo o controlo da glicose e a saúde vascular.
Já nos de torra média, os polifenóis descem para 8,44 mg/g e os ácidos clorogénicos reduzem-se para 6,56 mg/g, enquanto aumenta a presença de ácido gálico, outro antioxidante. O processo de torra média decompõe parte dos compostos originais, mas cria outros novos com propriedades antioxidantes.
Nos cafés de torra escura, a quantidade total de polifenóis cai para 7,95 mg/g e os ácidos clorogénicos reduzem-se drasticamente para 4,35 mg/g, atingindo-se o valor máximo de ácidos gálicos (2,33 mg/g).
A torra mais escura é a menos saudável
Segundo o especialista, a torra clara é a mais benéfica para a saúde, por conservar a maior parte dos ácidos clorogénicos, os polifenóis mais vantajosos. À medida que o grão é torrado, a sua composição química muda e o perfil antioxidante torna-se menos equilibrado, refere o HuffPost. A recomendação é simples: quanto mais escuro e amargo for o café, menor será o teor dos compostos naturais que ajudam a proteger o organismo.
Atenção ao café torrefacto
O alerta estende-se também aos cafés torrefactos, aos quais é adicionado açúcar durante o processo de torra. Esse tipo de café, comum em alguns países do sul da Europa, tem um sabor mais intenso e amargo, mas é considerado menos saudável devido à presença de açúcares caramelizados e substâncias formadas a altas temperaturas.
Em resumo, a torra clara preserva melhor os compostos protetores do grão e oferece um perfil antioxidante mais equilibrado, tornando-a a forma mais saudável de beber café.
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