O envelhecimento da população e a sustentabilidade dos sistemas de pensões são questões cada vez mais discutidas nas sociedades modernas. À medida que a esperança média de vida aumenta, surgem novos desafios para os modelos de reforma, nomeadamente a necessidade de rever a idade legal para cessar a vida ativa.
O alerta lançado por um economista
Gonzalo Bernardos, professor universitário e comentador económico, utilizou recentemente a sua conta na rede social X para lançar um aviso sobre o futuro da idade da reforma em Espanha. Embora atualmente a idade legal para a reforma esteja nos 66 anos e 8 meses para quem descontou menos de 38 anos e 3 meses, o especialista aponta para mudanças que podem surgir num futuro próximo.
No aviso, o professor, citado pelo Noticias Trabajo, informa que o mínimo necessário para aceder à pensão continua a ser de 15 anos de contribuições, mas o contexto europeu e o envelhecimento da população fazem antever alterações que podem afetar muitos trabalhadores que se aproximam do fim da sua carreira profissional.
O exemplo dinamarquês que está a preocupar
A origem do alerta está numa decisão tomada recentemente na Dinamarca, onde foi aprovada uma lei que prevê o aumento progressivo da idade da reforma até aos 70 anos, a aplicar a partir de 2040.
O economista refere esta medida como um possível indicador do que poderá acontecer em Espanha, escrevendo: “Mais tarde ou mais cedo, seguiremos o exemplo da Dinamarca”.
De acordo com a mesma fonte, a frase que mais inquietou a população surgiu no mesmo contexto: “Preparem-se para o que aí vem”. Com poucas palavras, o economista conseguiu gerar um grande impacto, dando o mote para um debate alargado nas redes sociais.
Uma reforma gradual e planeada
A decisão dinamarquesa está integrada numa reforma mais ampla do sistema de bem-estar iniciada em 2006. Esta reforma já previa o aumento gradual da idade da reforma: dos atuais 67 anos passará para 68 em 2030, para 69 em 2035 e finalmente para 70 em 2040.
Esta medida terá impacto direto nas pessoas nascidas a partir de 1 de janeiro de 1970. A aprovação foi clara, com 81 votos favoráveis e 21 contra, o que garante a sua aplicação sem entraves legais, conforme aponta a fonte mencionada anteriormente.
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Reações críticas e preocupações nas redes sociais
O anúncio gerou grande polémica, especialmente nas redes sociais onde o economista tem forte presença. Um dos comentários mais partilhados refere: “Não vejo ninguém com 70 anos em cima de um andaime”. Esta frase sintetiza o receio de que esta medida não tenha em conta as exigências físicas de muitas profissões.
Outros utilizadores questionam a viabilidade de trabalhar até idades tão avançadas, sublinhando que, embora se viva mais anos, a qualidade de vida nem sempre acompanha esse aumento, tornando difícil manter o mesmo ritmo de trabalho.
A saúde e o rendimento em causa
Com o aumento da idade da reforma, cresce também a preocupação com o aumento das baixas médicas. A combinação entre maior longevidade e desgaste físico pode levar a um aumento do absentismo laboral, especialmente em setores mais exigentes, segundo aponta a mesma fonte.
Vários comentários apontam para um possível contrassenso: aumenta-se a idade para se manter a população ativa, mas ao mesmo tempo aumentam as dificuldades físicas e mentais, o que poderá agravar os números de trabalhadores de baixa.
Humor como forma de crítica social
A discussão não se ficou pelo tom sério. Muitos utilizadores recorreram ao humor e à ironia para expressar descontentamento. Um utilizador escreveu: “Já agora, que ponham a idade da reforma nos 100 anos, é o melhor”. Outro partilhou a imagem de idosos sorridentes com a legenda “a caminho do trabalho”, refletindo a perceção de que a medida pode ser vista como excessiva.
Este tipo de resposta mostra como o tema da idade da reforma toca em pontos sensíveis da população, que se sente insegura perante mudanças que podem afetar profundamente a vida pessoal e profissional, de acordo com o Noticias Trabajo.
Um debate que está longe de terminar
As palavras do economista reacenderam um debate que atravessa fronteiras. A sustentabilidade das pensões, o envelhecimento da população e a reorganização do tempo de trabalho são temas complexos que exigem reflexão e planeamento a longo prazo.
A experiência dinamarquesa pode servir de exemplo, mas também de alerta sobre os desafios que se colocam à frente.
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