Os relógios voltam a adiantar-se na madrugada do próximo domingo, mas o que se debate em Bruxelas vai muito além de uma hora de sono perdida. A União Europeia prepara um novo estudo que poderá finalmente decidir se o horário de verão e o de inverno chegam ao fim ou se permanecem a marcar o calendário europeu por mais anos.
De acordo com o Expresso, a Comissão Europeia pretende concluir este estudo até ao final de 2026, oferecendo aos Estados-membros elementos para decidir se querem manter permanentemente o horário de verão ou o de inverno.
Como funciona a mudança da hora
Atualmente, a mudança da hora ocorre duas vezes por ano, ao abrigo de uma diretiva europeia. Os relógios são adiantados no último domingo de março e atrasados no último domingo de outubro, um mecanismo historicamente justificado com argumentos relacionados com a eficiência energética e o aproveitamento da luz natural.
O impasse que se arrasta desde 2018
A tentativa de eliminar esta prática ganhou força em 2018, quando a Comissão Europeia apresentou uma proposta legislativa nesse sentido. A iniciativa surgiu na sequência de uma consulta pública que reuniu cerca de 4,6 milhões de respostas, das quais 84% eram favoráveis ao fim da mudança da hora.
Em 2019, o Parlamento Europeu aprovou a proposta, apontando para 2021 como data limite para a sua implementação.
No entanto, o processo ficou parado no Conselho da União Europeia, onde os governos nacionais não conseguiram chegar a acordo sobre qual horário deveria ser adotado de forma permanente.
Escolha entre verão e inverno
O principal ponto de discórdia mantém-se até hoje. Cada país teria de escolher entre manter o horário de verão ou o de inverno durante todo o ano, uma decisão com impacto em áreas como a economia, os transportes e a coordenação entre países vizinhos.
A presidência cipriota e o relançamento do debate
Neste momento, cabe à presidência rotativa do Conselho, atualmente assegurada por Chipre, tentar relançar o debate. Ainda assim, tudo indica que qualquer avanço dependerá da conclusão do estudo agora encomendado por Bruxelas.
Segundo a mesma fonte, as autoridades europeias admitem que, caso o documento fique pronto durante o atual semestre, poderá haver uma troca de pontos de vista entre os Estados-membros.
No entanto, o cenário mais provável aponta para uma discussão mais aprofundada apenas numa fase posterior.
O futuro da mudança da hora
Apesar do tempo decorrido, o tema continua a dividir os países da União Europeia. O novo estudo poderá, ainda assim, abrir caminho a uma decisão que tem vindo a ser adiada, mantendo em aberto a possibilidade de pôr fim a uma prática que marca o calendário europeu há décadas, conclui o Expresso.
Leia também: Alerta vermelho na Europa: estudo confirma que quase metade dos cigarros eletrónicos são clandestinos
















