O quotidiano da família real espanhola à mesa é o ponto central das recentes declarações de Iñaki Urdangarin, ex-marido da infanta Cristina, que decidiu revelar como decorrem as refeições no Palácio da Zarzuela. Em entrevistas concedidas no contexto da promoção da sua autobiografia, o antigo duque de Palma descreve conversas centradas na atualidade e num ambiente que contrasta com a imagem solene frequentemente associada à Casa Real.
De acordo com a revista Flash!, Urdangarin sublinha que os encontros familiares combinavam normalidade com temas pouco habituais num jantar comum. “Havia momentos familiares muito normais, mas também foram discutidos assuntos que normalmente não são abordados num jantar normal”, afirmou, acrescentando que o ambiente era, na maioria das vezes, descontraído e marcado por risos.
Notícias do dia em vez de cerimónia
Segundo a mesma fonte, as conversas giravam sobretudo em torno das notícias lidas por todos, com espaço para opiniões diversas. “Os assuntos da conversa são notícias que todos lemos, com cada um a dar a sua opinião”, explicou Urdangarin, afastando a ideia de uma mesa hierarquizada ou cerimonial.
O ex-marido da infanta Cristina procurou ainda desfazer mitos sobre a disposição e o ambiente das refeições. “Não é nada parecido com o palácio que muitos imaginam. Não é como se todos estivessem sentados em lados opostos; são apenas cadeiras comuns. O rei não tem um trono para comer”, afirmou.
Quem é o protagonista das revelações
As declarações de Urdangarin surgem quase quatro anos depois do anúncio do fim do seu casamento com a infanta Cristina. O casal comunicou a separação através de uma nota conjunta: “De comum acordo, decidimos interromper a nossa relação matrimonial. O nosso compromisso para com os nossos filhos permanece intacto”, escreveram, pedindo respeito pela decisão.
Casados entre 1997 e 2022, Cristina e Iñaki têm quatro filhos e viveram em várias cidades, entre as quais Barcelona, Washington e Genebra. Conforme o jornal Expresso, a vida familiar distribuiu-se por diferentes países, acompanhando percursos profissionais e institucionais distintos.
Família e as reações públicas
O divórcio tornou-se ainda mais mediático após a divulgação de imagens de Urdangarin com Ainhoa Armentia, sua colega de trabalho. O jornal digital El Español referia na altura que Armentia era casada, mãe de dois filhos e colega do antigo duque num escritório de advogados em Vitória, no País Basco.
Entre os filhos do casal, apenas Pablo comentou publicamente a situação. “São coisas que acontecem, aconteça o que acontecer vamos continuar a amar-nos uns aos outros”, disse, numa declaração citada pela mesma publicação, mantendo um tom conciliador.
Passado judicial que marcou a mesa
O contexto destas revelações não se dissocia do percurso judicial de Urdangarin. De acordo com o Expresso, o antigo atleta de andebol foi condenado no âmbito do caso Nóos, por desvio de fundos públicos através de contratos fraudulentos, aproveitando ligações à então chefia do Estado.
O processo teve impacto profundo na família real e levou ao afastamento institucional da infanta Cristina, que se tornou a primeira membro da Casa Real espanhola a sentar-se no banco dos réus, acabando por ser absolvida.
Conversas comuns num contexto incomum
Apesar do peso institucional e dos episódios judiciais que marcaram a família, as descrições de Urdangarin apontam para refeições onde predominavam temas da atualidade e um convívio semelhante ao de qualquer outra família informada. A mesma fonte sublinha que esta normalidade era uma constante, independentemente das funções públicas de alguns dos presentes.
No final, o retrato traçado afasta-se do imaginário palaciano e aproxima-se de uma rotina onde as notícias do dia serviam de ponto de partida para a conversa, num espaço onde, pelo menos à mesa, o protocolo parecia ficar à porta.
















