A crescente atenção da imprensa britânica às tendências de férias voltou a colocar Espanha no radar, desta vez com destaque para a Galiza e, em particular, para as Ilhas Cíes, apelidadas de “Caraíbas Galegas” por vários jornais do Reino Unido. A região surge como alternativa menos massificada aos destinos clássicos procurados pelos turistas britânicos.
Depois de o Daily Mirror ter descrito Cabo Verde como as “novas Canárias do Atlântico”, foi a vez do Daily Express apontar para uma zona de Espanha que, segundo o jornal, muitos britânicos “nunca tinham ouvido falar”.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística de Espanha, entre junho e setembro de 2024 os destinos espanhóis mais visitados por turistas do Reino Unido foram Calviá, Benidorm, Barcelona, Adeje e Arona, que receberam quase dois milhões de visitantes britânicos. A preferência continua a ser a praia, numa procura constante por sol e temperaturas elevadas.
Fuga à massificação leva britânicos a procurar alternativas
A forte pressão turística nas ilhas Canárias e no arquipélago Balear tem levado muitos britânicos a procurar destinos menos saturados. É neste contexto que a Galiza começa a ganhar protagonismo.
Em 2025, a região recebeu 8,8 milhões de turistas, com um gasto total próximo dos 195 milhões de euros. Embora não seja tradicionalmente um dos principais destinos do mercado britânico, a combinação de riqueza cultural, temperaturas mais amenas e menor densidade turística está a atrair atenções.
Publicações como a mesma fonte referem-se a um ponto específico da comunidade autónoma como o “Caraíbas Galegas”. Já o The Guardian foi mais longe, classificando-o como as “Maldivas” ou as “Seicheles” de Espanha.
Islas Cíes, as “Maldivas” espanholas
Há quase duas décadas que as Ilhas Cíes, situadas ao largo de Vigo, são comparadas a destinos tropicais como Punta Cana ou as Caraíbas, devido às águas cristalinas e à areia branca. Em 2007, o The Guardian declarou a praia de Rodas como “a melhor praia do mundo”.
O pequeno arquipélago integra o Parque Nacional de las Islas Atlánticas de Galicia, área natural protegida que está em processo de candidatura a Património Mundial da UNESCO. As Ilhas Cíes são compostas por três ilhas praticamente desabitadas. Existiram pequenos núcleos agrícolas e piscatórios até à década de 1960, mas atualmente o acesso é controlado.
Acesso limitado e turismo controlado
Na época alta, o número máximo de visitantes não ultrapassa as 2.000 pessoas por dia. Na época baixa, o limite desce para cerca de 450. Esta restrição visa preservar o equilíbrio ambiental do arquipélago.
A imprensa britânica alerta ainda que quem visita as ilhas não deve esperar hotéis “tudo incluído”. Existe apenas um parque de campismo autorizado, descrito como um “impressionante camping com vistas para a lagoa e o mar”, onde é possível reservar diferentes tipos de tenda.
Em termos de serviços, há apenas um pequeno supermercado e alguns restaurantes. O acesso faz-se exclusivamente por via marítima, a partir dos portos de Vigo, Cangas, Sanxenxo, Baiona e Portonovo, com bilhetes de ida e volta entre 15 e 30 euros, consoante a época.
Mais do que as Cíes: um “Caribe” ao longo da costa
As chamadas “Caraíbas Galegas” não se limitam às Ilhas Cíes. O Parque Nacional inclui também as ilhas de Ons, Sálvora e Cortegada. Segundo a Consellería de Medio Ambiente, o parque recebeu em 2025 quase meio milhão de visitantes. Cerca de 66% concentraram-se nas Cíes, com mais de 323 mil entradas. As ilhas Ons registaram 14.600 visitantes, Sálvora quase 15 mil e Cortegada ultrapassou os 10 mil turistas.
De acordo com a mesma fonte, grande parte da costa galega pode ser vista como as “Caraíbas espanholas”, sobretudo pelo azul das águas e pela areia clara, ainda que a temperatura do Atlântico seja bastante diferente da dos trópicos.
Praias virgens e enseadas escondidas
Entre as zonas recomendadas está a comarca da Mariña, na província de Lugo, onde se encontram praias pouco exploradas como a Praia do Vicedo e a Praia de Caolín. Mais a sul, na província de Pontevedra, a ria de Aldán destaca-se pelas mais de 20 pequenas enseadas de areia fina, como Castiñeira e Menduiña, situadas em frente às Rías Baixas.
De acordo com o Daily Express, a tendência indica que, perante a saturação dos destinos tradicionais, os turistas britânicos estão cada vez mais atentos a regiões com menor pressão turística, paisagens preservadas e clima mais ameno, colocando a Galiza num novo patamar de visibilidade internacional.
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