Esta cidade do sul de Espanha está debaixo dos holofotes internacionais e não é por acaso. Depois de décadas a viver na sombra de outras cidades da mesma região, esta cidade costeira reinventou-se como destino turístico, cultural e tecnológico. Mas o seu crescimento acelerado começa agora a levantar dúvidas: estará a cidade a tornar-se vítima do próprio sucesso devido ao excesso de turismo?
De cidade industrial a destino vibrante
Durante muito tempo, Málaga era apenas um ponto de passagem. Os turistas que chegavam à Costa do Sol preferiam seguir viagem para localidades como Marbella, deixando para trás uma cidade considerada antiga e industrial.
A viragem começou no início do século XXI. Um dos passos decisivos foi a pedonalização do centro histórico, que permitiu uma maior valorização do espaço urbano e tornou a cidade mais apelativa para moradores e visitantes. Outro momento-chave foi a inauguração, em 2003, de um museu dedicado ao pintor Pablo Picasso. A aposta na cultura começou aí e depressa se alargou a outros espaços e iniciativas, refere o HuffPost.
O motor da tecnologia
Mais do que sol e museus, Málaga tem vindo a afirmar-se como um dos polos tecnológicos mais dinâmicos da Península Ibérica. A cidade conseguiu atrair startups, empresas internacionais e profissionais altamente qualificados.
Nos últimos dez anos, a economia malaguenha tem crescido a um ritmo superior ao restante território da Andaluzia. Este desempenho leva já muitos a considerar Málaga um modelo para outras cidades espanholas. A combinação entre qualidade de vida, clima agradável e oportunidades profissionais tem feito da cidade um destino muito procurado por jovens trabalhadores do setor digital.
Cultura, teatro e nomes de peso
A presença de figuras públicas também tem ajudado a reforçar a imagem de Málaga como cidade em ascensão. O ator Antonio Banderas, natural da cidade, regressou para abrir um teatro, apostando assim no dinamismo cultural local, refere a mesma fonte.
Esta expansão dos museus teve um papel fundamental no novo posicionamento da cidade. O centro histórico tornou-se num verdadeiro ponto de encontro entre tradição e inovação. O turismo cultural, menos sazonal que o de praia, tem contribuído para atrair visitantes durante todo o ano, com impacto positivo no comércio, na restauração e nos serviços.
A face menos visível do sucesso
Apesar do crescimento, nem tudo são rosas. O jornal britânico The Economist, citado pelo HuffPost, chama a atenção para dois grandes problemas que começam a ensombrar a evolução de Málaga: a escassez de habitação e os excessos do turismo de massas.
A pressão sobre o mercado imobiliário é cada vez maior. Estão em construção cerca de 9.000 novas habitações, mas a procura continua a ultrapassar largamente a oferta disponível. A câmara municipal tem cedido terrenos a construtoras privadas para tentar acelerar a resposta. No entanto, surgem críticas quanto à falta de habitação acessível para os residentes permanentes.
Turistas a mais, moradores a menos
Outro ponto sensível é a concentração de alojamentos locais no centro histórico. Com cerca de 6.000 apartamentos turísticos, Málaga regista a maior densidade deste tipo em toda a Espanha.
Os moradores queixam-se de insegurança, barulho e da perda de identidade dos bairros. Há relatos de festas até altas horas, conflitos nos edifícios e entradas constantes de desconhecidos. Carlos Carrera, representante de uma associação de moradores, citado pela mesma fonte, descreve situações de vandalismo, elevadores danificados e bares que mantêm portas abertas até às duas da madrugada.
Um equilíbrio difícil de manter
Tanto o crescimento económico como o aumento da atratividade turística colocam agora um desafio à cidade: como continuar a crescer sem expulsar quem sempre lá viveu? A resposta não é simples.
O risco de Málaga perder o seu carácter autêntico devido ao excesso de turismo está a tornar-se uma preocupação real. A pressão urbana, as alterações na convivência e a especulação imobiliária geram tensões visíveis. Muitos habitantes sentem que a cidade deixou de lhes pertencer. O centro histórico, em particular, está a transformar-se num espaço quase exclusivamente dedicado ao consumo turístico.
Entre a ambição de crescer e a manutenção da identidade
Málaga enfrenta um dilema comum a muitas cidades em crescimento acelerado. Por um lado, há orgulho pelo reconhecimento e pelo dinamismo atual. Por outro, há o receio de que a cidade se torne irreconhecível devido ao excesso de turismo, de acordo com o HuffPost.
A questão é até onde se pode ir sem sacrificar aquilo que torna Málaga especial para muitos. As decisões políticas e urbanísticas dos próximos anos serão decisivas para o futuro da cidade.
Como curiosidade, Málaga acolhe atualmente um dos maiores centros europeus de cibersegurança, o que confirma a sua vocação tecnológica. E, em 2024, foi a cidade espanhola com mais startups per capita.
Leia também: Tem isto no carro? Multas podem sair caro (não é o seguro nem a carta)
















