A maior produtora de salsichas da Europa vai encerrar a sua última fábrica até ao final de fevereiro, pondo termo a uma história industrial que atravessou regimes políticos, modelos económicos e várias gerações de trabalhadores. O fecho da unidade de Britz, no leste da Alemanha, surge num contexto de estagnação prolongada da economia alemã e de um aumento significativo das insolvências empresariais.
Durante décadas, a Eberswalder Wurstwerke foi um dos grandes símbolos industriais da antiga República Democrática Alemã, empregando milhares de pessoas e funcionando como um complexo quase autossuficiente, com serviços próprios destinados aos trabalhadores e respetivas famílias.
De ícone socialista a ativo privado
De acordo com o Jornal Económico, nos anos 1980 a fábrica chegou a empregar cerca de 3.000 trabalhadores e ocupava uma área de 65 hectares, integrando infraestruturas, como clínica, biblioteca, restaurante e até cabeleireiro.
A reunificação alemã e a transição para a economia de mercado alteraram profundamente o papel da empresa, que perdeu dimensão e influência, acompanhando a transformação estrutural do leste do país.
Anúncio que apanhou todos de surpresa
Escreve o jornal que os cerca de 500 trabalhadores ainda ao serviço souberam do encerramento iminente da fábrica poucos minutos antes da notícia ser divulgada na televisão.
Acrescenta a publicação que o atual proprietário, o grupo Tönnies, da Alemanha Ocidental, tinha adquirido a empresa há apenas dois anos, assegurando na altura que iria investir na modernização da unidade.
Promessas por cumprir e receios no terreno
Segundo relatos recolhidos pela mesma publicação, vários funcionários manifestaram surpresa e frustração com a decisão, sublinhando que o ponto de venda da fábrica continuava a ter procura, mesmo em pleno inverno.
Refere a mesma fonte que o encerramento está previsto para o final de fevereiro, marcando o desaparecimento definitivo de uma das últimas grandes referências industriais do antigo modelo económico da Alemanha de Leste.
Sintoma de um problema maior
Este caso não é isolado e insere-se num cenário mais vasto de estagnação económica, com a Alemanha a registar três anos consecutivos de crescimento anémico.
Conforme a mesma fonte, dados preliminares do Destatis indicam que as insolvências aumentaram 15% em dezembro face ao mesmo mês do ano anterior, com mais de 17.600 empresas insolventes ao longo de 2024, o valor mais elevado em duas décadas.
Crise transversal e sem setor imune
O Jornal Económico refere que, ao contrário de crises anteriores, o atual ciclo negativo afeta empresas de praticamente todos os setores, da indústria transformadora ao comércio e à construção.
Segundo a mesma fonte, o encerramento de empresas históricas revela um modelo económico desajustado às novas realidades globais, com custos energéticos elevados, tensões comerciais e uma indústria exportadora cada vez mais vulnerável.















