Macário Correia, antigo presidente da Câmara de Faro entre 2009 e 2012, regressou à vida política ao ser eleito presidente da Assembleia Municipal de Faro, durante a cerimónia de tomada de posse do novo executivo camarário liderado por António Miguel Pina (PS).
O social-democrata aproveitou o momento para defender uma “revisão profunda” da legislação autárquica, que considera estar “obsoleta” e desajustada à realidade atual do poder local.
“A democracia estabeleceu que todos os partidos iam para o executivo, então fez dois parlamentos. Um parlamento no executivo e outro parlamento na Assembleia Municipal, com poderes repartidos. Isso tem que ser revisto, claramente. Hoje o poder local e uma Câmara Municipal é uma ‘holding’ empresarial”, afirmou.
Macário Correia argumentou que o modelo de funcionamento das autarquias, criado há cinco décadas, “não faz sentido nenhum” na atualidade, sublinhando que a gestão de uma câmara municipal “não se compadece com esse modelo”.
“O país mudou, o poder local mudou. Não faz sentido que um presidente de Câmara não tenha condições para governar, mas tem que se dar às Assembleias Municipais outros poderes que atualmente não têm”, frisou.
Apesar de liderar um órgão de maioria social-democrata, Macário Correia assegurou que não transformará a Assembleia Municipal num espaço de confronto político com o executivo socialista. “Estamos aqui para trabalhar juntos, em cooperação e dialogando. É isso que os cidadãos de Faro querem e disseram há 15 dias. É para isso que eu estou aqui”, garantiu.
Cooperação entre os dois órgãos é essencial
O novo presidente da Câmara, António Miguel Pina, que reconquistou a autarquia para o PS após 16 anos de domínio social-democrata, destacou, na sua intervenção, que “não promete milagres, mas trabalho”, sublinhando que Faro precisa de “coisas concretas” e de “caminhos certos”.
A nova configuração política em Faro traduz uma autarquia liderada pelo PS e uma Assembleia Municipal presidida pelo PSD, o que torna a cooperação entre os dois órgãos essencial para o futuro político da capital algarvia.
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