A semana começa com uma boa e uma má notícia para os automobilistas. Segundo as previsões divulgadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) para os preços do combustível, o preço médio do gasóleo simples deverá descer 1,5 cêntimos por litro, enquanto a gasolina simples 95 deverá manter-se inalterada.
Caso as estimativas se confirmem, o gasóleo simples passará a custar 1,527 euros por litro, enquanto a gasolina simples 95 continuará nos 1,698 euros, de acordo com os cálculos do ACP. A Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) confirma que, atualmente, o preço médio é de 1,542 euros para o gasóleo e 1,698 euros para a gasolina.
A diferença é pequena, mas simboliza um alívio ligeiro para quem depende do automóvel diariamente — sobretudo num contexto de instabilidade fiscal e energética que volta a gerar dúvidas.
Medidas fiscais continuam a sustentar preços mais baixos
As previsões do ACP têm por base a manutenção das medidas extraordinárias de redução fiscal que o Governo tem aplicado desde 2022 para conter o impacto da escalada dos combustíveis. Estas medidas incluem a redução do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) e a compensação da receita adicional do IVA, de acordo com o Notícias ao Minuto.
Na prática, o Estado tem abdicado de parte da receita fiscal sobre combustíveis para que os preços ao consumidor não disparem, compensando a diferença através do IVA arrecadado quando o preço do petróleo sobe.
Fim dos descontos no ISP pode mudar o cenário
Mas essa política está a prazo. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, confirmou recentemente que o Governo está a trabalhar numa solução para o fim dos descontos no ISP, medida exigida pela Comissão Europeia.
A recomendação europeia, feita desde 2023, pretende que Portugal normalize a tributação sobre combustíveis, considerando que o apoio prolongado distorce o mercado. O desafio agora é encontrar um modelo que não provoque aumentos súbitos nas bombas.
“Procuraremos momentos de redução dos preços para poder reverter estes descontos”, garantiu o ministro durante a apresentação do Orçamento do Estado para 2026. A ideia é retirar gradualmente o apoio fiscal quando o mercado permitir, evitando choques diretos no bolso dos consumidores.
Impacto pode ser sentido ainda este ano
A Comissão Europeia já tinha alertado, em cartas enviadas ao Governo, que a medida devia terminar até ao final de 2025. Caso o desconto seja retirado num momento de subida do petróleo, os preços finais poderão aumentar entre 5 e 10 cêntimos por litro, segundo estimativas de analistas.
Para já, o Executivo assegura que só fará alterações quando os preços internacionais estiverem mais baixos, o que permitiria absorver o impacto. Mas essa condição é incerta, e depende da evolução dos mercados globais.
Petróleo em queda, mas tensão mantém-se
Nos mercados internacionais, o petróleo Brent, de referência para a Europa, fechou a semana em baixa de 1,37%, para 61,06 dólares por barril, o valor mais baixo desde maio.
A descida está ligada ao agravar das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, que têm afetado as projeções de crescimento global e provocado uma retração na procura por energia. O excesso de oferta também tem contribuído para a queda do preço do crude.
Mesmo assim, a tendência é vista com cautela: qualquer instabilidade geopolítica ou corte de produção por parte dos países exportadores pode inverter o movimento rapidamente.
Uma trégua curta para os condutores
Apesar do pequeno alívio previsto para o gasóleo, os condutores portugueses continuam entre os que mais pagam impostos sobre combustíveis na Europa. O ISP representa mais de metade do preço final por litro, e qualquer alteração fiscal tem impacto imediato nas bombas.
Por agora, as previsões do ACP oferecem uma breve trégua, mas o futuro dependerá menos do petróleo e mais das decisões políticas sobre o imposto que sustenta o preço por litro.
Se o desconto no ISP terminar ainda este ano, a próxima descida poderá ser a última antes de nova subida.
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