A idade da reforma pode parecer distante, mas compreender como funciona o sistema de pensões em Portugal é essencial para quem trabalha. Todos os meses, parte do seu salário vai para a Segurança Social, mas poucos sabem como é calculado o valor de dinheiro da reforma e qual o detalhe que pode reduzir a pensão em milhares de euros.
De acordo com o Ekonomista, site especializado em economia e finanças, desde 2018 existe um simulador oficial da Segurança Social que permite estimar o valor da pensão.
No entanto, há fatores menos óbvios, como o fator de sustentabilidade e os anos de descontos considerados no cálculo, que podem fazer uma diferença significativa no montante final.
Três pilares que sustentam o sistema
O sistema de pensões português assenta em três pilares principais: o Sistema Previdencial, o Sistema de Proteção Social de Cidadania e o Sistema Complementar.
O Sistema Previdencial é o pilar contributivo: é aqui que se inserem os descontos feitos por trabalhadores e empresas, com base no princípio da solidariedade intergeracional: os ativos de hoje financiam as pensões de quem já se reformou.
O Sistema de Proteção Social de Cidadania, por sua vez, é financiado por receitas fiscais e garante apoios mínimos a pessoas em situação de carência económica, deficiência ou dependência.
Já o Sistema Complementar inclui planos de poupança reforma (PPR), seguros de vida e fundos mutualistas, mecanismos opcionais de poupança que funcionam como complemento à pensão pública.
O detalhe que pode custar milhares de euros
O fator de sustentabilidade é um dos elementos mais críticos, e menos conhecidos, do cálculo das pensões. Criado em 2007, aplica-se às reformas antecipadas e traduz-se num corte direto no valor da pensão, determinado pela esperança média de vida.
Segundo o Ekonomista, quem se reforma antes da idade legal sofre uma penalização de 15,5%, acrescida de 0,5% por cada mês de antecipação. Assim, antecipar a reforma um ano pode reduzir o valor final em mais de 20%, o que representa milhares de euros a menos por ano.
Existem exceções, sobretudo para quem tem carreiras contributivas longas (mais de 40 anos de descontos), mas a penalização mensal de 0,5% mantém-se.
O sistema e a sua sustentabilidade
A pensão que receberá no futuro não é paga com o seu próprio dinheiro, mas com as contribuições da população ativa. É o chamado sistema de repartição, no qual os trabalhadores de hoje financiam as pensões de quem já se reformou e, no futuro, a geração seguinte financiará a sua.
O problema é que Portugal enfrenta um envelhecimento populacional acelerado, o que pressiona a sustentabilidade do sistema. Um estudo da OCDE, citado pelo Ekonomista, alerta que em 2050 existirão sete pessoas com mais de 65 anos por cada dez em idade ativa, contra três atualmente.
Em 2015, três milhões de portugueses já eram pensionistas, representando 29% da população residente. Nesse ano, as pensões absorveram 14,7% do PIB nacional, o que demonstra o peso crescente desta despesa pública.
Como garantir um futuro mais seguro
Para não depender exclusivamente da pensão pública, especialistas recomendam planear cedo a poupança complementar. Os PPRs e os fundos de capitalização são opções que permitem acumular um valor adicional, mitigando eventuais cortes ou reduções no valor da pensão.
O Ekonomista sublinha que, apesar de o sistema público continuar a ser a principal fonte de rendimento na reforma, compreender as regras e planear com antecedência é o que realmente garante estabilidade financeira no futuro.
Leia também: TAP faz aviso: se lhe pedirem para colocar a mala de mão no porão deve fazer isto de imediato
















