Receber uma pensão de 1.000 euros já não é, para muita gente, sinónimo de folga financeira. O testemunho de António, um reformado espanhol, mostra como o custo de vida pode transformar a reforma num exercício permanente de contenção, uma sensação que muitos pensionistas também reconhecem em Portugal.
Segundo o Noticias Trabajo, site espanhol especializado em assuntos legais e laborais, António disse que vive com cerca de 1.000 euros de pensão e que “praticamente tudo vai para comida normal e corrente”.
Acrescentou que, com estes valores, “tem de fazer matemáticas” para conseguir chegar ao fim do mês.
Fazer contas todos os meses tornou-se inevitável
O reformado descreveu, como relata a publicação, uma rotina em que não há margem para grandes desvios.
“Não nos excedemos em nada”, afirmou, referindo-se às compras do dia a dia e à necessidade de ajustar hábitos perante preços que considera cada vez mais altos.
Percorrer vários supermercados para poupar um euro
Para tentar esticar o orçamento, António diz que compara preços e não hesita em mudar de loja. “Posso ir a 20 sítios diferentes, se for preciso, para poupar um euro”, contou, numa estratégia que, no seu caso, serve para manter as despesas essenciais sob controlo.
Energia pesa cada vez mais no orçamento
Além da alimentação, a energia é outro encargo que, segundo o próprio, se tornou difícil de suportar.
António disse que, num dos recibos de eletricidade e gás, chegou a pagar 410 euros, embora noutro mês a fatura tenha sido de 220 euros.
Para reduzir consumos, afirmou que optou por desligar a caldeira e recorrer a alternativas pontuais para aquecer a casa, mesmo que isso signifique abdicar de conforto.
Aumentos nas pensões ficam aquém, diz o reformado
António reconhece que houve atualizações nas pensões, mas considera que não acompanham o aumento do custo de vida.
“Deram-nos uma alegria, mas foi tão pouca que continua a não chegar”, afirmou.
Lazer e viagens ficaram para trás
A consequência, diz, é simples: os “luxos” deixaram de caber no orçamento. “Adoro viajar, mas não me posso permitir esses luxos porque a minha pensão não dá para tanto”, resumiu, de acordo com o Noticias Trabajo.
E em Portugal?
Em Portugal, os números ajudam a perceber porque é que tantos reformados sentem o orçamento apertado.
Segundo o Banco de Portugal, com base em microdados da Segurança Social, em 2024 a pensão média de velhice do regime geral rondava os 645 euros e metade dos pensionistas recebia menos de 462 euros.
Já o Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho indicava que, em agosto de 2025, o valor médio das pensões de velhice do Regime Geral foi de 676 euros.
As pensões são atualizadas anualmente por portaria do Governo, ao abrigo do regime legal de atualização (Lei n.º 53-B/2006 e Lei n.º 52/2007), com referência a indicadores como o crescimento do PIB e a variação do IPC (sem habitação), como se vê na Portaria n.º 480-B/2025/1.
Ainda assim, para quem vive com valores baixos, qualquer subida nas despesas essenciais pode deixar pouco espaço para imprevistos.
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