Num mercado de trabalho em constante mutação, mudar de área profissional pode ser mais do que uma questão de vocação: pode ser também uma oportunidade financeira. Um novo estudo da Michael Page, empresa especializada em emprego e mercado de trabalho, mostra que há setores e profissões em Portugal onde os salários atingem valores que rivalizam com os de outros países europeus. Funções estratégicas e técnicas continuam a ser as mais valorizadas, mas o talento híbrido, que alia competências humanas e digitais, está agora no centro das atenções.
De acordo com a publicação, o mercado português continua a resistir à instabilidade económica, mas está a tornar-se mais seletivo. As empresas procuram profissionais com perfis multidisciplinares, capazes de compreender tecnologia, interpretar dados e liderar equipas. Essa combinação está a ser paga a peso de ouro.
As funções que lideram o topo salarial
Entre as profissões mais bem remuneradas destacam-se cargos de direção e gestão. Um Diretor Financeiro pode ganhar até 160 mil euros anuais, seguido de um Chief Technology Officer (CTO), com 140 mil euros, e dos responsáveis por centros de serviços partilhados (SSC/GBS), que atingem valores semelhantes.
Segundo o estudo da Michael Page, no setor industrial e energético um Diretor-Geral chega a receber 170 mil euros por ano, enquanto no setor hoteleiro o topo salarial ronda os 105 mil euros para um Diretor de Hotel em Lisboa. Em healthcare & life sciences, um Business Unit Manager pode chegar aos 150 mil euros anuais, e no retalho de luxo, um Store Manager em Lisboa aufere 80 mil euros.
Já no setor jurídico, um Advogado Sénior ultrapassa os 84 mil euros anuais, e um Associado com entre quatro e sete anos de experiência pós-agregação ronda os 42 mil euros. Nos recursos humanos, as remunerações variam entre 35 mil e 120 mil euros anuais, dependendo da dimensão e do setor da empresa.
Tecnologia, banca e saúde entre as áreas mais lucrativas
O setor da banca é um dos que mais se destaca, com funções ligadas ao risco, compliance e controlo interno entre as mais procuradas. Perfis técnicos como Data Analysts, Business Analysts e Project Managers estão a ser fortemente valorizados devido à modernização tecnológica e à adoção de ferramentas de automação.
Na área das tecnologias de informação, a procura continua em alta, mas a insatisfação salarial também é evidente. Ainda assim, um Chief Information Officer (CIO) pode receber até 120 mil euros anuais, e um IT Manager, 100 mil euros. Segundo a Michael Page, mais de metade dos profissionais do setor acredita que é mal remunerada face à sua especialização.
O futuro passa pela combinação entre tecnologia e propósito
A inteligência artificial está a alterar o mercado de trabalho a um ritmo sem precedentes. De acordo com a Michael Page, as empresas procuram agora perfis capazes de unir tecnologia, empatia e visão estratégica. A capacidade de liderar pessoas, comunicar e adaptar-se à mudança tornou-se um dos fatores mais valorizados pelos recrutadores.
Álvaro Fernández, diretor-geral da Michael Page, sublinha que “os profissionais já não procuram apenas um bom salário, mas também flexibilidade, propósito e oportunidades de desenvolvimento”. Segundo o mesmo responsável, as políticas de retenção de talento estão a tornar-se uma prioridade, num contexto em que 62% dos trabalhadores valorizam mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional do que o rendimento.
Mudar de área pode ser o melhor investimento
Com presença em 37 países e mais de 40 anos de experiência, a Michael Page prevê que o próximo ano traga uma transformação silenciosa no mercado laboral português. Setores como tecnologia, saúde, finanças, marketing digital e energia continuarão a liderar em oportunidades e remuneração.
Se está a ponderar mudar de área, o estudo deixa uma mensagem clara: nunca foi tão rentável apostar na requalificação profissional. O salário pode ser o primeiro atrativo, mas o verdadeiro valor está em escolher uma carreira com futuro, e propósito.
Leia também: Temporal a caminho de Portugal: chuvas ‘torrenciais’ e ondas até 7 metros vão afetar estas regiões
















