A batalha pela transmissão dos jogos do Mundial 2026 está a causar um sismo financeiro sem precedentes no panorama televisivo nacional. Um grande canal português encontra-se em conversações com a organização do torneio devido ao preço astronómico exigido para exibir as partidas. Estes valores milionários e irredutíveis ameaçam alterar de forma drástica a maneira como os cidadãos vão poder acompanhar a seleção de futebol no verão.
A entidade que lidera esta revolta pública é a estação privada Televisão Independente, habitualmente designada por TVI, através do seu presidente executivo. O Expresso avançou no semanário desta semana que o responsável máximo do grupo Media Capital assume que a empresa viu quatro propostas de compra serem consecutivamente rejeitadas pela federação internacional de futebol.
A organização mundial da modalidade justificou as constantes negas com a insuficiência manifesta dos valores financeiros apresentados pela estação de Queluz de Baixo. O montante mínimo exigido no concurso realizado no mês de fevereiro foi fixado em 430 mil euros por cada encontro disputado. Este valor de referência representa mais do dobro do esforço financeiro suportado pela mesma cadeia televisiva no torneio de 2022.
O desequilíbrio com a estação pública
Indica a mesma fonte que o gestor aponta o dedo à postura financeira da Rádio e Televisão de Portugal neste mercado de direitos desportivos. O presidente considera que o canal tutelado pelo Estado está a pagar quantias que o modelo da televisão aberta comercial não consegue viabilizar. Esta inflação de custos distorce as regras de concorrência leal e prejudica os operadores privados que dependem em exclusivo das receitas de publicidade.
A importância do futebol reflete-se de forma clara e inequívoca nas audiências televisivas consolidadas do último ano civil no nosso país. Os vinte programas mais vistos de 2025 foram integralmente preenchidos por embates de futebol masculino profissional. Quinze dessas emissões de topo pertenceram diretamente à grelha de programação do principal canal da estação pública de televisão.
A ameaça das gigantes tecnológicas
As críticas da direção da estação privada estendem-se também às manobras comerciais das grandes empresas tecnológicas à escala global. O responsável acusa a Google de absorver uma fatia desproporcional do mercado publicitário nacional em comparação com as empresas de comunicação tradicionais. As receitas em solo português da detentora da plataforma de vídeos superaram a soma da faturação da Sociedade Independente de Comunicação e da TVI.
Explica a referida fonte que a referida plataforma de partilha audiovisual estabeleceu uma parceria direta com os organizadores do torneio mundial. Este acordo permite exibir os primeiros dez minutos de cada partida na internet para tentar cativar a atenção do público mais jovem. A liderança da Media Capital considera que este mecanismo serve essencialmente para forçar as televisões abertas a aceitarem custos irracionais.
A entrada de um novo concorrente digital
O cenário mediático tornou-se consideravelmente mais complexo com a chegada da LiveMode TV ao mercado nacional no passado mês de dezembro. Este novo canal digital já garantiu a exibição de todos os encontros da seleção nacional e do melhor jogo de cada jornada da competição. A empresa tem raízes no Brasil e aposta num formato de emissão totalmente diferente daquele que foi estabelecido pelos canais clássicos.
A estratégia traçada para atrair audiências passa pela contratação de figuras bem conhecidas dos portugueses e das plataformas sociais. O painel de comentadores desportivos inclui antigos atletas de eleição como Ricardo Quaresma e Ricardinho, sentados lado a lado com criadores de conteúdo humorístico. A abordagem planeada foca-se numa linguagem comum e muito descontraída que procura simular uma conversa fluida entre amigos no sofá de casa.
O impacto nas receitas de publicidade
A entrada deste operador digital disruptivo causou um clima de tensão fria e silenciosa entre os vários candidatos aos direitos de imagem. A nova plataforma está a agitar fortemente o mercado de anúncios comerciais e a alterar o padrão de negociação outrora enraizado. As empresas anunciantes deixaram de estar limitadas aos pacotes comerciais oferecidos em exclusivo pelas estações de formato tradicional.
A direção da Sociedade Independente de Comunicação assumiu publicamente que ainda se encontra em negociações formais para tentar assegurar a exibição de algumas partidas. A Sport TV confirmou que vai disponibilizar a totalidade do calendário da competição aos clientes do seu serviço de subscrição paga. A televisão pública manteve o silêncio institucional e preferiu não tecer comentários sobre as suas reais intenções de aquisição para a prova.
Explica ainda o Expresso que as previsões financeiras da federação internacional apontam para lucros astronómicos com a venda destas imagens desportivas. A entidade organizadora espera angariar cerca de 3.400 milhões de euros com as várias parcelas de transmissões a nível global. O torneio vai decorrer no próximo mês de junho e terá como palcos os Estados Unidos da América, o Canadá e o México.
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