Durante décadas, crescer numa família de classe média foi sinónimo de ouvir certas frases repetidas vezes à mesa, no corredor ou a caminho da escola. Expressões simples que revelavam uma forma muito própria de gerir o dinheiro, o tempo e até as expectativas. Estas frases marcaram gerações e continuam a refletir o quotidiano de milhões de famílias.
Segundo aponta o jornal La Razón, uma das frases mais ouvidas entre pais e filhos de classe média era “se o queres, poupa da tua mesada”. Para muitos, essa simples recomendação foi a primeira grande lição de economia. A mesada, ainda que modesta, ensinava a planear despesas e a entender que o dinheiro tem limites.
Nas casas de classe média, aprender a poupar era quase uma tradição. Receber algum dinheiro significava pensar bem antes de o gastar, ponderar prioridades e decidir se o brinquedo ou o lanche do fim de semana valiam mesmo o investimento.
De acordo com a mesma fonte, bancos e educadores financeiros defendem que dar uma mesada ajustada à idade ajuda a criar noções de responsabilidade e de consumo consciente. Hoje, quando as compras por impulso estão a um clique de distância, esta lição de paciência e controlo mantém toda a atualidade.
Mesmo com os cartões e aplicações digitais, a regra é a mesma: quem aprende a gerir o pouco desde cedo, entende melhor o valor do que tem. É uma mentalidade que se herda e que molda o comportamento financeiro na idade adulta.
A espera como virtude
Outra expressão típica das famílias de classe média era “espera pelos saldos”. Em muitas casas, comprar fora da época de descontos era quase impensável. A roupa nova, o casaco de inverno ou o televisor só chegavam quando os preços baixavam.
Nos anos 80 e 90, essa paciência era vista como sinal de boa gestão. Janeiro e julho eram meses de oportunidade, e havia quem guardasse parte do salário para aproveitar as melhores promoções. As famílias sabiam que esperar compensava e que o segredo estava em não ceder ao impulso imediato.
Apesar de o comércio atual estar repleto de campanhas permanentes, muitos consumidores continuam a preferir os saldos tradicionais. O hábito de planear e comparar preços mantém-se, recordando um tempo em que cada compra era cuidadosamente pensada, refere a fonte acima citada.
O valor da moderação
Essas frases não se limitavam a regras domésticas. Eram um reflexo de uma mentalidade mais ampla, centrada na prudência e no equilíbrio. Para a classe média, viver bem significava garantir segurança sem excessos e desfrutar do que se tinha sem comprometer o futuro.
O dinheiro era visto como fruto do esforço e, por isso, merecia respeito. Comer fora de casa, trocar de carro ou comprar algo novo só acontecia quando fosse realmente necessário. Essa contenção ajudou muitas famílias a construir estabilidade e a enfrentar períodos de incerteza económica.
Hoje, quando o consumo rápido domina a rotina, essas lições soam quase nostálgicas, segundo o La Razón. Ainda assim, continuam a ser transmitidas, adaptadas aos novos tempos, mas com o mesmo sentido de prudência que guiou os pais e avós.
Uma herança de gerações
A classe média de antigamente acreditava que o sucesso vinha da disciplina. As frases repetidas ao longo dos anos eram lembretes constantes de que o esforço e a paciência traziam recompensas. “Não se compra nada até se estragar o que já tens” ou “as coisas boas demoram a chegar” eram máximas que traduziam esse espírito.
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