A designação “Multibanco” tornou-se, ao longo de décadas, sinónimo de caixa automática para a generalidade dos portugueses. No entanto, com a proliferação de novos terminais bancários, geridos por empresas privadas e ligados a redes internacionais, nem todas as máquinas que permitem levantar dinheiro funcionam com as mesmas regras. A diferença entre usar um terminal da rede Multibanco e um ATM “genérico” pode ser invisível à primeira vista, mas reflete-se diretamente no número de operações disponíveis e, sobretudo, nos custos que podem recair sobre o utilizador.
Criada em 1985 e gerida pela SIBS, a rede Multibanco integra todas as instituições bancárias a operar em Portugal. Os seus terminais permitem mais de 60 funcionalidades, entre as quais se incluem pagamentos ao Estado, transferências, doações, carregamento de passes e NIF automático. De acordo com o Público, esta rede cobre milhares de terminais espalhados pelo território nacional, na sua maioria instalados em agências bancárias.
Já os chamados ATMs genéricos abrangem três tipos de equipamentos: os das próprias instituições bancárias, os remotos (em centros comerciais, postos de combustível ou locais públicos) e os terminais independentes, vocacionados sobretudo para turistas.
Nem todos os terminais são iguais
Embora visualmente semelhantes, os terminais ATM diferem na sua origem e modelo de funcionamento. Segundo o Público, muitos dos terminais genéricos, como os da Euronet, ATM Express ou Cashzone, são geridos por operadores estrangeiros ou estruturas privadas que pagam rendas a comerciantes locais em troca da instalação das máquinas.
Estes equipamentos, embora ligados à rede da SIBS para processamento, estão muitas vezes associados a redes internacionais como Visa ou Mastercard. Por essa razão, podem apresentar custos acrescidos por operação, sobretudo em cartões internacionais.
Multibanco: o sistema mais completo
A rede Multibanco continua a ser, para os utilizadores nacionais, a opção mais completa e economicamente vantajosa, comparada com terminais ATM. De acordo com o Decreto-Lei n.º 3/2010, as operações realizadas com cartões de débito nacionais nos terminais MB estão isentas de comissão, exceto no caso de utilização de cartões de crédito, onde pode haver lugar a cobrança.
A gestão partilhada entre os principais bancos permite reduzir custos operacionais, garantindo uma oferta de serviços mais abrangente, mesmo para clientes de bancos diferentes.
ATM Express e o foco no turismo
Inicialmente direcionado para turistas, o sistema ATM Express foi lançado pela própria SIBS para competir com a entrada de empresas estrangeiras como a Euronet. Embora aceite cartões nacionais, oferece menos funcionalidades do que o Multibanco, sendo o foco principal os levantamentos com ou sem apresentação da taxa de câmbio.
Estes terminais têm vindo a ser instalados em zonas comerciais e agora também em freguesias com menor densidade populacional, com custos assumidos por autarquias, explica o jornal Público.
Redes estrangeiras com foco comercial
As redes Euronet e Cashzone são operadas por empresas internacionais e direcionam-se sobretudo a utilizadores estrangeiros. Instaladas em fachadas de lojas ou locais turísticos, aceitam cartões nacionais e internacionais, mas com incidência clara em cartões de crédito.
Segundo o Público, estas redes registaram críticas devido à forma como processam cartões com dupla funcionalidade (débito e crédito), optando muitas vezes pela vertente de crédito — o que acarreta custos mais elevados para o utilizador, sem que este tenha plena consciência da opção feita.
Nem sempre gratuito
Embora o levantamento de numerário em Portugal seja, em regra, gratuito para residentes, isso depende da máquina usada e do tipo de cartão. O jornal lembra que os terminais independentes podem cobrar uma “surcharge”, uma taxa adicional visível no ecrã antes da confirmação da operação. Se o utilizador não aceitar, pode anular o processo sem qualquer custo.
As comissões, a apresentação do câmbio (DCC) e os limites de levantamentos variam conforme o emissor do cartão, o operador da máquina e o contrato com a rede internacional.
O que deve verificar antes de usar um terminal
A SIBS aconselha os consumidores a procurarem sempre o logótipo Multibanco antes de realizarem qualquer operação. Para quem utiliza cartões internacionais ou cartões nacionais em modo crédito, é recomendada a leitura atenta das condições que surgem no ecrã antes de prosseguir.
Em caso de dúvida, o ideal é consultar previamente o preçário do banco ou usar apenas os terminais localizados em agências bancárias, que tendem a ser mais seguros e transparentes no modelo de cobrança.
Diferenças que afetam diretamente o bolso
Embora todas estas máquinas permitam levantar dinheiro, a sua origem, rede associada e perfil de comissões podem variar significativamente. A familiaridade com a expressão “Multibanco” pode induzir em erro, e sair caro a quem não prestar atenção ao terminal que está a usar.
Com a evolução do setor e a presença crescente de operadores estrangeiros, a distinção entre ATM e Multibanco torna-se cada vez mais relevante para o consumidor informado.
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