Num momento em que também em Portugal se discute a justiça das reformas antecipadas e das penalizações aplicadas a quem trabalhou durante toda a vida, um novo caso vindo de Espanha reacende o debate. Uma mulher com 44 anos de carreira contributiva viu a sua pensão ser drasticamente penalizada depois de ter sido obrigada a reformar-se antes da idade legal, segundo o jornal digital Noticias Trabajo.
Laura Allué contribuiu para a Segurança Social espanhola durante 44 anos, período que, segundo explica, deveria colocá-la perto da pensão máxima, atualmente próxima dos 3.000 euros. No entanto, aos 59 anos foi despedida e, sem conseguir voltar ao mercado de trabalho, acabou empurrada para a reforma antecipada involuntária.
A realidade que descreveu em entrevista televisiva foi dura: “penalizam-me com um 27% da minha pensão”, afirmou, citada pela mesma fonte. Mesmo com quase meio século de descontos, considera que a pensão que lhe é atribuída fica muito abaixo do valor esperado. Ao recordar que trabalhou “de segunda a sábado, entre oito e nove horas por dia”, confessou sentir-se defraudada com o sistema.
Uma vida inteira a descontar e uma penalização permanente
Durante o programa, Laura desabafou: “Estou cansada disto”, sublinhando que, apesar dos 44 anos de carreira contributiva, a redução aplicada terá impacto para o resto da vida. Reforçou ainda a ideia de que muitos trabalhadores apenas desejam uma reforma digna depois de décadas de trabalho.
Casos como o de Laura não são isolados. Há outros relatos de pensionistas, entre eles Paco Crespo, que foi obrigado a reformar-se aos 62 com uma carreira completa de descontos que, ainda assim, resultou em penalizações significativas, de acordo com o Noticias Trabajo.
Solicitações de mudanças legislativas
Num debate na televisão catalã TV3, a advogada Marta Barreda chamou a atenção para o impacto destas penalizações ao longo de toda a vida dos reformados. Considerou que “se está a castigar estas pessoas”, defendendo que devem continuar a lutar por maior equidade e pelo apoio dos partidos políticos.
A especialista deixou ainda um conselho claro: tentar alcançar o direito ao valor total da pensão, evitando cortes que ficam para sempre. Para Barreda, esta deveria ser uma prioridade num sistema que, cada vez mais, penaliza quem é forçado a abandonar o mercado de trabalho antes do tempo.
Uma discussão que também interessa a Portugal
Tal como em Espanha, também em Portugal subsiste um debate sobre os coeficientes que reduzem o valor das pensões antecipadas, especialmente no caso de carreiras contributivas longas. Muitos trabalhadores que começaram a trabalhar ainda na adolescência enfrentam cortes significativos caso tenham de se reformar por desemprego ou desgaste profissional.
Por isso, casos como o de Laura Allué voltam a colocar o tema na agenda pública e mostram que a discussão sobre reformas dignas não é apenas espanhola, mas transversal a muitos países europeus, incluindo Portugal, onde milhares de pessoas esperam que carreiras longas sejam devidamente valorizadas.
Leia também: Selos no para‑brisas: a lei mudou mas muitos condutores não sabem que têm de levar isto no carro















