A fatura da eletricidade vai subir em 2026 para milhares de famílias portuguesas. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) propôs um aumento de 1% no preço da luz para os consumidores do mercado regulado, com efeitos a partir de 1 de janeiro do próximo ano.
Embora o acréscimo pareça pequeno, o impacto será sentido em mais de 820 mil lares que ainda não migraram para o mercado liberalizado.
Quanto vai subir a conta mensal
De acordo com a ERSE, esta atualização traduz-se num acréscimo entre 0,20 e 0,37 euros por mês, já com taxas e impostos incluídos. Segundo a entidade, o aumento é inferior à variação prevista para o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), o que significa uma redução “em termos reais”.
O regulador destaca ainda que esta variação reflete os custos operacionais das redes elétricas e a evolução do preço da energia nos mercados grossistas.
Mais de 800 mil famílias no mercado regulado
O mercado regulado continua a perder peso, mas ainda representa uma fatia relevante do setor elétrico. Segundo dados da ERSE, em agosto havia mais de 820 mil clientes domésticos com tarifas reguladas, enquanto o mercado livre já contava com 5,7 milhões de consumidores. No mesmo período, o consumo proveniente do mercado liberalizado representava 94,9% do total nacional.
A tendência mantém-se: o mercado livre ganhou 9.560 clientes em junho, enquanto o regulado perdeu 2.730.
Variação nas tarifas de acesso às redes
O preço final da eletricidade, tanto no mercado regulado como no livre, inclui sempre as tarifas de acesso às redes, que refletem o custo de utilização das infraestruturas elétricas. Estas tarifas, também definidas pela ERSE, vão sofrer alterações em 2026.
Para os consumidores domésticos (em baixa tensão normal), está prevista uma subida de 3%. Já para as empresas ligadas em muito alta e alta tensão, haverá reduções de 3,2% e 0,9%, respetivamente.
Tarifa social continua a proteger famílias vulneráveis
As famílias abrangidas pela tarifa social de eletricidade continuarão a beneficiar de um desconto de 33,8% sobre o preço de venda final. De acordo com a ERSE, este apoio aplica-se tanto no mercado regulado como no liberalizado e visa “proteger os consumidores em situação de maior vulnerabilidade económica”.
Esta redução é automaticamente aplicada aos beneficiários que preencham os critérios definidos pela lei, sem necessidade de pedido formal.
Mercado livre: preços variam conforme o contrato
Quem está no mercado livre poderá ter um impacto diferente na fatura, já que o preço depende da energia comprada pelos comercializadores e da margem aplicada por cada empresa. Nos últimos meses, várias operadoras ajustaram as tarifas em função da evolução dos custos grossistas e da procura.
Entre 2021 e 2026, a variação média anual das tarifas no mercado regulado situou-se em 1,7%, o que, segundo a ERSE, demonstra uma trajetória estável num contexto europeu de grande volatilidade energética.
O que acontece a seguir
A proposta de atualização segue agora para parecer do Conselho Tarifário, que deverá ser emitido até 15 de novembro.
A ERSE tomará a decisão final até 15 de dezembro, definindo oficialmente as novas tarifas que entrarão em vigor a 1 de janeiro de 2026.
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