O Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) pode voltar a pesar mais no orçamento de muitos proprietários em 2026, mesmo que a taxa aplicada pelo município onde vive permaneça exatamente igual à do ano anterior. O motivo está num detalhe técnico, pouco visível à primeira vista, mas com impacto direto no valor a pagar: a atualização do preço do metro quadrado usado no cálculo do imposto.
Depois de três anos consecutivos sem qualquer alteração, o preço do metro quadrado para efeitos de IMI vai aumentar em 2026. De acordo com a DECO PROteste, este valor passa dos atuais 665 euros para 712,50 euros, refletindo uma atualização automática prevista na lei.
Este preço base resulta do acréscimo de 25% ao custo médio de construção por metro quadrado, que para 2026 foi fixado em 570 euros. A fórmula é simples, mas o impacto pode ser significativo, sobretudo em imóveis sujeitos a avaliação ou reavaliação.
Porque é que esta subida pode aumentar o IMI
Segundo a organização de defesa do consumidor, este novo valor não se aplica apenas a casas novas. Também entra nas contas sempre que um imóvel seja alvo de obras de ampliação, reconstrução ou quando o proprietário pede uma reavaliação do valor patrimonial tributário a partir de 1 de janeiro de 2026.
Na prática, isso significa que o IMI pode aumentar de forma transversal, mesmo em municípios que decidam manter as taxas inalteradas face a 2025. O simples facto de o valor base do metro quadrado ser mais elevado já é suficiente para fazer subir o imposto.
O que é, afinal, o IMI e como é calculado
O IMI incide sobre o valor patrimonial tributário dos imóveis detidos no ano anterior. Assim, o imposto pago em 2026 tem por base os imóveis que eram propriedade do contribuinte a 31 de dezembro de 2025, recorda a DECO PROteste, citada pela mesma publicação.
Para chegar ao valor final, a Autoridade Tributária multiplica o valor patrimonial tributário do imóvel pela taxa de IMI definida pelo respetivo município. No caso dos prédios urbanos, essas taxas continuam legalmente enquadradas entre os 0,3% e os 0,45%.
Taxas municipais podem manter-se, mas a fatura subir
Mesmo que a câmara municipal onde vive decida não alterar a taxa de IMI em 2026, isso não impede um agravamento do imposto. Segundo a DECO PROteste, o aumento do preço do metro quadrado influencia diretamente o cálculo do valor patrimonial tributário, que serve de base à conta final.
É aqui que muitos proprietários são surpreendidos, uma vez que o aumento não resulta de uma decisão política local, mas de um mecanismo técnico previsto na legislação.
Há formas de pagar menos IMI?
Alguns municípios continuam a aplicar reduções no IMI em função da composição do agregado familiar. Famílias com filhos a cargo podem beneficiar de descontos automáticos no imposto, desde que a situação esteja devidamente comunicada à Autoridade Tributária.
Além disso, pedir uma reavaliação do imóvel pode, em certos casos, resultar numa descida do IMI, sobretudo quando o valor patrimonial não reflete a idade do prédio ou as suas características reais. No entanto, com o novo preço do metro quadrado em vigor, esta decisão deve ser ponderada com cuidado.
O que deve ter em atenção nos próximos meses
A atualização do preço do metro quadrado entra em vigor em 2026, mas os seus efeitos podem prolongar-se no tempo, sobretudo à medida que mais imóveis sejam reavaliados. Segundo a DECO PROteste, esta é uma das variáveis mais relevantes no cálculo do IMI e uma das menos compreendidas pelos contribuintes.
Para evitar surpresas, acompanhar as decisões do seu município, verificar se tem direito a reduções familiares e compreender como é calculado o valor patrimonial tributário do seu imóvel pode fazer a diferença na fatura final.
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