Nos últimos meses, os preços dos alimentos voltaram a subir em Portugal, pressionando o orçamento das famílias e revelando fortes diferenças entre produtos do cabaz essencial. Entre os 63 produtos que compõem o cabaz alimentar essencial da DECO PROteste, os brócolos são o alimento que mais subiu de preço desde o início de 2025. O aumento foi de 34%, tornando este produto o símbolo da escalada do custo de vida nas prateleiras dos supermercados em Portugal.
Os brócolos, habitualmente associados a uma alimentação saudável, tornaram-se este ano um dos produtos mais caros da mesa dos portugueses. O preço aumentou de forma contínua ao longo dos últimos meses, refletindo as dificuldades que o setor agrícola enfrenta no controlo dos custos de produção e de transporte.
Segundo a DECO PROteste, a subida dos brócolos é acompanhada por aumentos significativos noutros alimentos de consumo diário, como os ovos (32%) e a laranja (24%). Estes produtos ocupam agora o topo da lista dos que mais contribuíram para o agravamento do cabaz alimentar em 2025.
Cabaz alimentar ultrapassa os 242 euros
O cabaz semanal de produtos alimentares essenciais, monitorizado pela DECO PROteste, custa atualmente 242,24 euros, menos 0,48 euros do que na semana anterior, o que representa uma variação de 0,2%. Apesar da ligeira descida, o valor continua bastante superior ao registado no início do ano, mantendo-se como um indicador da persistência da inflação alimentar.
Os 63 produtos analisados incluem carne, peixe, frutas, legumes, laticínios, mercearia e congelados. Desde que a associação começou a acompanhar os preços, em janeiro de 2022, o cabaz acumula um aumento total de 54,54 euros, o equivalente a 29,06%.
Outras subidas relevantes
Embora os brócolos liderem o aumento acumulado de 2025, outros produtos registaram subidas expressivas nas últimas semanas. Os cereais integrais foram os que mais encareceram recentemente, passando a custar 4,09 euros, mais 53 cêntimos do que na semana anterior, o que representa um acréscimo de 15%.
O queijo flamengo fatiado subiu 13%, o carapau 9%, enquanto a pescada fresca, a farinha para bolos e o azeite virgem extra aumentaram 8%. Estes valores confirmam que a tendência de subida continua a afetar produtos de diferentes categorias.
Fatores que explicam a escalada de preços
A DECO PROteste associa o aumento dos preços a um conjunto de fatores que têm marcado o setor agroalimentar nos últimos três anos. A guerra na Ucrânia continua a afetar o fornecimento de matérias-primas, especialmente cereais e fertilizantes, enquanto os custos da energia e os efeitos da seca dificultam a produção agrícola em vários países europeus.
Estes elementos, conjugados com os custos de transporte e armazenamento, têm impactado de forma particular os produtos frescos, como os legumes e frutas, onde os preços tendem a reagir rapidamente às variações de custo.
O comportamento do preço deste tipo de produto em Portugal reflete a dependência crescente das importações e a vulnerabilidade do setor agrícola nacional perante fatores externos, como a instabilidade climática e as flutuações internacionais.
Medidas de alívio tiveram efeito limitado
Em abril de 2023, o Governo português criou uma isenção de IVA em mais de 40 alimentos essenciais, medida que contribuiu para atenuar temporariamente a escalada de preços. No entanto, a reposição do imposto em 2024 e a instabilidade no setor impediram que essa descida se mantivesse a longo prazo.
Este ano, o regresso da pressão inflacionista voltou a fazer-se sentir em vários produtos de uso diário. Entre os que mais aumentaram este ano estão o café torrado moído, o chocolate e, sobretudo, os brócolos, cujo preço subiu de forma mais acentuada do que qualquer outro alimento analisado.
Inflação estabiliza, mas preços mantêm-se elevados
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a inflação média anual em Portugal desceu para 2,4% em 2024, abaixo dos 4,3% registados em 2023 e dos 7,8% de 2022. Ainda assim, o abrandamento da inflação não se refletiu plenamente no preço dos bens alimentares.
Em setembro de 2025, a taxa de inflação manteve-se nos 2,4%, mas os dados da DECO PROteste mostram que o custo do cabaz alimentar continua a pesar de forma significativa no orçamento das famílias, sobretudo nas que têm rendimentos mais baixos.
Como é feito o cálculo da DECO PROteste
A DECO PROteste recolhe diariamente os preços dos produtos nos principais supermercados com loja online. A média é calculada com base nos valores de cada artigo e a soma final determina o custo do cabaz semanal. Em Portugal, este acompanhamento tem sido importante para perceber como o preço de cada produto reflete as mudanças económicas e o impacto real da inflação nas compras do dia a dia.
















