À chegada ao trabalho, os funcionários de uma fábrica de calçado em Pindelo, Oliveira de Azeméis, depararam-se esta manhã com as portas encerradas e um aviso inesperado: a empresa não teria dinheiro para lhes pagar nos próximos 15 dias. O choque foi imediato, já que ninguém antecipava uma paragem repentina da atividade.
De acordo com o site especializado em economia e negócios, Executive Digest, que cita a presidente do Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio do Calçado, Malas e Afins (SNPIC), a empresa em causa é a YFF II, Young Fashion Footwear, que emprega cerca de 70 pessoas.
O problema não se limita à promessa de atraso nos salários de setembro: estão também em falta os vencimentos de julho e agosto, além do subsídio de férias.
Salários em atraso e silêncio do patrão
O aviso afixado pela administração não esclarece o que poderá acontecer após esses 15 dias. O patrão não atende telefonemas e não deixou qualquer nota detalhada aos trabalhadores, aumentando o clima de incerteza.
Entre os funcionários, cresce o receio de que possa estar em causa uma suspensão temporária dos contratos ou mesmo um processo de insolvência.
Segundo a mesma fonte sindical, a situação surpreende ainda mais porque a fábrica não aparentava sinais de quebra de produção. O ritmo de trabalho mantinha-se regular e a unidade estava a produzir exclusivamente para mercados internacionais, com encomendas em carteira.
Historial que levanta dúvidas
A presidente do SNPIC recorda que a empresa foi constituída em maio de 2022 e aponta para o historial do responsável, que já terá encerrado outras sociedades de forma súbita. “O patrão já é conhecido por abrir e fechar empresas desta maneira, mudando apenas o número de contribuinte e prosseguindo atividade logo de seguida”, lamentou.
Entre os trabalhadores, a sensação é de abandono. Muitos chegaram ao portão às primeiras horas da manhã e descobriram apenas uma folha afixada. A ausência de contacto direto com a gerência reforça a desconfiança.
Situação em aberto
Tal como refere o Executive Digest, o caso deixa cerca de 70 famílias em suspenso, com dois meses de salários em atraso e nenhuma garantia sobre o futuro imediato. Para já, o sindicato promete acompanhar os trabalhadores e avaliar as soluções legais possíveis, enquanto exige esclarecimentos urgentes.
Contactada pela agência Lusa, a YFF II manteve-se incontactável, com os números de telefone desligados.
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