Nos últimos anos, os pagamentos digitais tornaram-se parte do dia a dia e substituíram quase por completo o uso de dinheiro em espécie nas compras mais comuns. Usar o cartão de crédito no supermercado pode parecer inofensivo, mas a RFM alerta que este hábito comum está a afetar o orçamento de muitas famílias sem que se apercebam. De acordo com a estação de rádio portuguesa, a forma como o cérebro reage ao “pagar depois” pode levar a gastar mais do que o necessário.
O principal problema está na perceção do gasto. Quando o pagamento é feito por cartão, o impacto emocional é menor e o cérebro interpreta a despesa como menos “real”. Tal comportamento leva a uma falsa sensação de controlo, fazendo com que muitas pessoas gastem sem avaliar o impacto no orçamento.
Efeito psicológico de “pagar depois”
Segundo a mesma fonte, quem paga em dinheiro tende a gastar até 30% menos do que quem recorre ao cartão de crédito. A razão é simples: ver o dinheiro a sair da carteira cria um travão natural e incentiva decisões mais racionais.
Ao contrário, o pagamento digital adia a perceção da perda e alimenta o consumo por impulso. Esta diferença é amplamente documentada por investigadores da área do comportamento financeiro, que associam o uso excessivo de cartões ao aumento das dívidas pessoais, refere a fonte acima citada.
Além disso, o recurso frequente ao crédito pode distorcer a noção do que é um gasto essencial e do que é um luxo.
Hábitos simples que fazem diferença
Nas despesas do dia a dia, como supermercado, combustíveis ou cafés, a recomendação é clara: optar por dinheiro ou cartão de débito. Assim, o controlo das contas torna-se mais direto e transparente. Outra estratégia é levar apenas o montante necessário para as compras, evitando tentações e decisões precipitadas.
Em países como a Finlândia, onde o uso de pagamentos digitais é quase total, as autoridades têm reforçado os programas de literacia financeira para alertar a população para estes riscos.
Lições do norte da Europa
O exemplo finlandês mostra que a tecnologia pode facilitar a vida, mas também exige mais consciência no consumo. De acordo com a RFM, a facilidade de pagar com um simples toque ou aproximação de cartão pode esconder um perigo silencioso: o endividamento crescente das famílias.
Por isso, programas educativos e campanhas públicas procuram equilibrar o avanço tecnológico com a responsabilidade financeira. A meta é garantir que a conveniência não substitui o bom senso.
Num contexto de inflação e preços elevados, pequenas mudanças de comportamento podem ter grande impacto no final do mês. Controlar o uso do cartão é uma dessas medidas.
Cada euro conta
Poupar começa em decisões pequenas, repetidas todos os dias. Pagar com dinheiro ou cartão de débito é uma forma prática de manter a noção do que se gasta e evitar surpresas desagradáveis na fatura. Saber quanto se gasta e como se gasta é o primeiro passo para um orçamento equilibrado e uma vida financeira mais tranquila.
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