Um vídeo viral recuperou um talão da Mercadona de 2007 (44,72€) e repetiu a mesma lista de produtos em 2025, com um total de cerca de 105€, numa comparação que voltou a colocar a inflação e a perda de poder de compra no centro da conversa.
O caso foi divulgado pelo jornal espanhol El Confidencial, a partir de um vídeo partilhado no TikTok pelo utilizador @deuna_restobar1, que decidiu testar quanto custaria hoje uma compra antiga guardada num recibo.
A comparação parte de um talão da Mercadona de 2007 com um total de 44,72 euros, usado como “guia” para voltar ao supermercado e adquirir, tanto quanto possível, exatamente os mesmos artigos.
Na lista estavam produtos comuns do dia a dia, como mortadela, pão, leite, guardanapos e Nesquik, além de outros itens habituais numa cesta familiar.
A experiência: “o mesmo carrinho”, outra conta no fim
No vídeo, o autor explica a ideia logo no início: pegar no talão antigo e confirmar, produto a produto, o valor atual da mesma compra feita em 2025.
O resultado final, segundo o relato, foi de aproximadamente 105 euros, mais do dobro do montante de 2007, levando o utilizador a afirmar que se trata de uma subida superior a 100%.
A publicação ganhou tração nas redes, ultrapassando as 210 mil visualizações e somando milhares de gostos, com comentários a focarem sobretudo a relação entre preços e rendimentos.
O debate do poder de compra volta ao centro
Entre as reações mais repetidas, destacam-se mensagens do género “E os salários, para quando?”, “Baixou o poder de compra” e “Os preços subiram mais do que os ordenados”, refletindo uma preocupação que se tem tornado recorrente.
A comparação, ainda que simples, funciona como retrato do que muitos consumidores sentem na prática: o cabaz de compras pesa mais no orçamento, mesmo quando os produtos parecem “os mesmos”.
Ainda assim, e segundo o El Confidencial vale notar que exercícios deste tipo podem ter variáveis difíceis de controlar, como alterações de formato, marcas reformuladas, substituições por equivalentes atuais, promoções pontuais ou mudanças na composição dos produtos ao longo dos anos.
Porque é que estes vídeos têm tanto impacto
O fator “talão na mão” dá credibilidade e torna a inflação menos abstrata: em vez de percentagens, vê-se um número final, comparável e imediato.
Ao mesmo tempo, a discussão tende a ir além do supermercado: passa rapidamente para o custo de vida, o ritmo de atualização salarial e a sensação de que a capacidade de compra encolheu.
No fim, o vídeo não resolve o debate, mas explica por que volta sempre: quando um carrinho “igual” sai a mais do dobro, o choque é inevitável e a conversa reacende-se.
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