Mais de metade dos pensionistas portugueses vive com pensões inferiores a 800 euros por mês. A Segurança Social contabiliza cerca de dois milhões de pensões de velhice no final de 2024, e os números mostram um retrato preocupante do rendimento na reforma. A maioria recebe até 764 euros mensais, segundo dados citados pelo Correio da Manhã, um valor que fica abaixo do salário mínimo nacional.
Os números revelam uma tendência que se tem agravado nos últimos anos: o envelhecimento da população e as desigualdades salariais acumuladas ao longo das carreiras profissionais refletem-se agora nas pensões. E mesmo com os aumentos anunciados pelo Governo, a diferença entre o rendimento dos homens e das mulheres continua a ser expressiva.
Mulheres recebem menos e vivem mais
De acordo com o Correio da Manhã, as mulheres reformadas recebem, em média, 334 euros a menos do que os homens. Em dezembro de 2024, a pensão média feminina fixou-se nos 452 euros mensais, enquanto a dos homens atingiu 786 euros.
A diferença é explicada, segundo a mesma publicação, pelos salários mais baixos e carreiras contributivas mais curtas das mulheres, que acumulam menos descontos ao longo da vida ativa. Além disso, são elas que mais tempo vivem após a reforma, o que as torna mais vulneráveis à perda de poder de compra.
80 mil viúvos com mais de 90 anos
O envelhecimento demográfico é outro dado relevante. Ainda segundo o Correio da Manhã, existem 80 mil viúvos e viúvas com mais de 90 anos a receber pensões de sobrevivência, sendo mais de 80% mulheres. Entre este grupo, cerca de 500 beneficiários acumulam pensão de velhice e de viuvez.
Nos últimos dez anos, o número de pensionistas nestas condições aumentou mais de 50%, refletindo o impacto do aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população.
Poucos recebem pensões altas
Entre o universo total de reformados, apenas 1.857 pessoas recebem pensões superiores a 6.111 euros por mês, de acordo com o mesmo jornal. No extremo oposto, mais de 819 mil pensionistas vivem com menos de 600 euros mensais, e 319 mil não chegam sequer aos 400 euros.
A despesa com pensões ultrapassa atualmente os 15 mil milhões de euros anuais, valor que representa uma das maiores fatias do Orçamento da Segurança Social.
Reformas aumentam, mas continuam curtas
Apesar das atualizações anuais e da recuperação parcial face à inflação, o valor médio das pensões aumentou apenas 7,3% entre 2023 e 2024. O Correio da Manhã explica que o crescimento resulta sobretudo das revisões automáticas previstas na lei, e não de uma reavaliação estrutural do modelo.
Mesmo assim, as pensões continuam insuficientes para acompanhar o custo de vida. A maioria dos reformados tem carreiras contributivas superiores a 35 anos, mas o valor que recebem não cobre as despesas básicas de habitação, alimentação e saúde, especialmente nas grandes cidades.
Um retrato das reformas
Com mais de 1,5 milhões de pensões de velhice e um sistema cada vez mais pressionado pelo envelhecimento, Portugal enfrenta um desafio estrutural: garantir a sustentabilidade da Segurança Social e proteger os rendimentos de quem trabalhou toda a vida.
Os números mostram que a reforma, para muitos, não é sinónimo de descanso, mas de sobrevivência. E a pergunta que fica é inevitável: se hoje mais de metade dos pensionistas vive com menos de 800 euros, quanto valerá a reforma de quem ainda está a trabalhar?
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