A União Europeia (UE) está a preparar uma revisão das regras técnicas da inspeção automóvel, com o objetivo de reforçar os controlos anticontaminação e travar adulterações, num processo legislativo que está em curso e que tem 2026 como ano-chave de negociações, mas que ainda não se traduziu numa norma final aplicável a todos os carros.
Nos últimos dias, notícias em Espanha voltaram a colocar o tema na agenda ao falar de um “requisito chave” para passar a inspeção automóvel a partir de 2026, num contexto em que Bruxelas procura unificar critérios e reforçar o combate à poluição dos veículos em circulação.
O que está confirmado, de acordo com o jornal Mundo Deportivo, para já, é que existe um “pacote de inspeções/roadworthiness package” proposto pela Comissão Europeia em abril de 2025, que está a ser analisado pelas instituições europeias e pode alterar a inspeção periódica, os controlos na estrada e o registo/dados dos veículos.
A 4 de dezembro de 2025, o Conselho (Estados-membros) anunciou que já tem uma posição (“orientação geral”) para iniciar negociações com o Parlamento Europeu, o que significa que o dossiê entra numa fase decisiva durante 2026.
O que está em cima da mesa em Bruxelas para a inspeção automóvel
A proposta europeia pretende tornar os testes mais “objetivos” e eficazes, com foco na segurança e, sobretudo, no desempenho ambiental real dos veículos, incluindo medidas para reduzir veículos poluentes a circular sem serem detetados.
Entre as mudanças discutidas, o Conselho destaca a introdução (ou evolução) de novos métodos de medição de emissões na inspeção automóvel, nomeadamente para óxidos de azoto (NOx) e número de partículas, além de reforço no combate à adulteração (por exemplo, conta-quilómetros) e melhor troca de dados entre países.
A Comissão também propôs adaptar a inspeção à tecnologia mais recente, incluindo veículos elétricos e sistemas avançados de assistência à condução, e avançar com certificados digitais e partilha simplificada de informação entre Estados-membros.
2026 é quando começa a valer? O que já se sabe sobre o calendário
Aqui está o ponto que tem gerado confusão: o pacote das inspeções ainda está em negociação e depende de acordo entre Parlamento e Conselho; só depois será transposto e aplicado em cada país.
Ou seja, 2026 é, neste momento, sobretudo o ano em que o processo pode avançar para um texto final, mas não há, até ao momento, uma regra única já em vigor que “obrigue todos os carros em 2026” a cumprir um novo requisito para passar a inspeção.
Paralelamente, existe o tema Euro 7 (para veículos novos), já adotado em 2024, que entra em vigor 20 dias após publicação e depois passa a aplicar-se de forma faseada (com prazos em meses diferentes consoante o tipo de veículo).
O que pode mudar para quem faz inspeção em Portugal
Em Portugal, a inspeção periódica já inclui controlo de emissões e verificação de vários sistemas, mas a orientação europeia aponta para testes ambientais mais precisos e maior capacidade de detetar carros com sistemas de emissões alterados ou com falhas que aumentem a poluição.
Para os condutores, o recado “prático” é simples: mexer em filtros, catalisadores, EGR ou sistemas de AdBlue para contornar problemas pode tornar-se ainda mais arriscado, porque a UE quer precisamente fechar a porta à adulteração e melhorar a deteção.
Se quer prevenir chatices, a melhor preparação continua a ser manutenção regular e atenção a sinais de avaria (luzes no painel, consumo fora do normal, fumo, cheiros), porque é aí que as inspeções tendem a “apanhar” mais cedo, e, com regras mais exigentes, a margem pode diminuir.
Para já, e de acordo com o Mundo Deportivo, o essencial é acompanhar os próximos passos em Bruxelas: só quando houver acordo final e regras publicadas é que será possível dizer, com datas e obrigações concretas, o que muda (e quando) para a inspeção dos carros em Portugal.
Leia também: Dois homens apanham táxi de Lisboa para Barcelona: este foi o valor que apareceu no taxímetro à chegada















