A Porsche confirmou a existência de um erro humano na produção de uma série muito limitada do 911 S/T, que resultou na atribuição do mesmo número identificativo a dois veículos distintos. De acordo com o portal de notícias Razão Automóvel, a situação envolveu dois automóveis entregues a clientes diferentes, separados por milhares de quilómetros, ambos com a mesma numeração numa edição criada para assinalar os 60 anos do modelo 911.
O 911 S/T foi produzido em apenas 1.963 unidades, cada uma identificada com uma placa numerada no interior, indicando a posição exata do carro na série.
Segundo a mesma fonte, esta numeração é parte essencial do carácter exclusivo do modelo, funcionando como um elemento de distinção num automóvel concebido para colecionadores.
Uma duplicação inesperada numa série fechada
A duplicação do número só foi detetada muito depois da entrega dos veículos. Escreve a publicação que o erro permaneceu invisível até ao momento em que uma das proprietárias pediu uma placa adicional, pedido que levou a Porsche a cruzar dados internos e a identificar a existência de dois carros com o mesmo número.
Perante a descoberta, a marca iniciou uma revisão completa do processo de personalização associado à encomenda dos dois automóveis. Foi nesse momento que se confirmou que o problema teve origem numa fase manual do processo, sem relação com falhas técnicas ou informáticas.
Papel do programa Sonderwunsch
A investigação interna apontou o programa Sonderwunsch como o contexto em que o erro ocorreu. Acrescenta a publicação que este programa privilegia intervenções artesanais e personalizações feitas à mão, uma escolha deliberada da Porsche para reforçar a exclusividade, mas que também aumenta a dependência da intervenção humana.
Nesse contexto, um dos veículos que deveria ter sido identificado como o número 1.742 acabou por receber, por lapso, a placa correspondente ao número 1.724. Refere a mesma fonte que a falha passou despercebida durante todo o processo de produção, validação e entrega.
Quando o erro só surge após a entrega
Durante meses, ambos os carros circularam sem que qualquer inconsistência fosse sinalizada. Só a solicitação posterior de um elemento adicional levou à descoberta da duplicação. Segundo o portal, este tipo de pedido é raro, o que explica o tempo decorrido até à deteção do erro.
Confrontada com a situação, a Porsche assumiu a responsabilidade e contactou diretamente os dois clientes envolvidos. Explica o site que a marca optou por tratar o caso de forma pessoal e simbólica, convidando ambos a deslocarem-se à sede histórica da empresa, em Zuffenhausen, na Alemanha.
A resposta da marca e a correção
Em Zuffenhausen, a Porsche apresentou um pedido formal de desculpas e procedeu à correção das numerações, atribuindo a cada veículo o número que lhe correspondia na série. Acrescenta a publicação que o processo foi acompanhado de perto pela marca, sublinhando a importância do gesto para preservar a confiança dos clientes.
A placa incorreta não foi descartada. Passou a integrar o arquivo histórico da Porsche, como registo de um episódio raro numa produção marcada pela precisão e pelo controlo rigoroso.
Um episódio que entra para a história
O caso passou a ser visto internamente como um exemplo de transparência na gestão de um erro invulgar. Segundo a Razão Automóvel, a marca transformou uma falha ‘embaraçosa’ num momento de afirmação dos seus valores, assumindo publicamente o erro e integrando-o na sua narrativa histórica.
















