A cidade de León, em Espanha, implementou recentemente lugares de estacionamento reservados a mulheres. De acordo com o El Motor, a medida foi pensada para proteger as condutoras de potenciais situações de agressão. Não há registo de existirem lugares reservados a mulheres em Portugal. No entanto, dada a proximidade com Espanha, e caso a medida seja bem aceite, poderá vir a ser também adotada aqui.
Uma dúzia de lugares foi pintada com ícones cor-de-rosa que representam uma figura feminina. Estão situados à superfície, junto à Delegación Territorial de Castilla y León, e fazem parte do plano municipal de mobilidade urbana sustentável.
Esta prática não é nova em Espanha, embora seja recente em León. Outros pontos de Espanha já adotaram medidas semelhantes, inspiradas em exemplos de países europeus e asiáticos que procuram minimizar riscos em zonas isoladas ou pouco iluminadas.
Medida inspirada em modelo alemão
Na Alemanha, os chamados frauenparkplatz existem desde os anos 90. Segundo aponta a fonte acima citada, foram criados na sequência de vários estudos que mostraram que muitas mulheres evitavam parques de estacionamento subterrâneos ou de vários andares, especialmente à noite, por receio de assédio ou agressões sexuais.
A medida ganhou tal dimensão que, em algumas regiões alemãs, a legislação exige que até 30% dos lugares de estacionamento sejam reservados a mulheres.
Contudo, não se trata de uma proibição formal para os homens: é, acima de tudo, uma questão de civismo, como acontece com os lugares destinados a famílias.
Debate continua vivo em vários países
A ideia foi replicada noutros países, como Áustria, Itália, China e Coreia do Sul. Neste último, por exemplo, parques com mais de 30 lugares devem, por lei, reservar pelo menos 10% para condutoras.
Apesar da intenção de proteger, a medida não é consensual. As críticas centram-se na forma como alguns destes lugares foram implementados.
Em certas zonas, optou-se por pintar as linhas com cores consideradas estereotipadas, como o rosa, ou acrescentar ícones de sapatos de salto alto e saias, de acordo com o El Motor. Nalguns casos, os espaços destinados às mulheres foram até desenhados com dimensões até 50% superiores às normais.
A questão que se coloca é se esta é uma medida sensata que responde a uma realidade concreta, ou se reforça estereótipos e promove uma segregação indesejada. Entre a segurança e a igualdade, o equilíbrio continua a dividir opiniões.
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