Com a chegada do verão, não são poucos os condutores que decidem deixar os seus automóveis imobilizados durante semanas. Motivos não faltam: férias prolongadas, viagens para o estrangeiro ou simplesmente menor necessidade de utilização. Em muitos casos, há quem opte por manter o depósito quase vazio, acreditando que essa é uma escolha mais segura até ao regresso.
No entanto, esta prática pode trazer consequências inesperadas. Segundo o engenheiro e CEO da Easygas, Joseba Barrenengoa, citado pelo El Motor, o ideal é fazer exatamente o contrário: “Se o carro, a mota ou o veículo que usas vai ficar parado durante bastante tempo: deixa-o cheio até acima de combustível”.
Uma dica simples que muitos ignoram
De acordo com o especialista, esta é uma medida simples mas eficaz, pouco conhecida do público em geral. Barrenengoa exemplificou com uma mota de água que não utilizava há cerca de um mês: “Esta manhã saí para andar de mota, estimo que terei gasto uns 50 ou 60 litros e, agora, volto a deixá-la cheia”.
O principal motivo para esta recomendação prende-se com um fenómeno natural que pode afetar a integridade do combustível: a condensação. Quando o depósito não está completamente cheio, o ar no seu interior pode conter humidade, favorecendo a formação de água.
Diferenças de temperatura potenciam o problema
Com as mudanças de temperatura entre o dia e a noite, esse vapor transforma-se em pequenas gotas que ficam dentro do depósito. Esta água acumulada pode acabar por se misturar com o combustível, alterando as suas propriedades e dificultando o arranque do motor.
Corrosão silenciosa no interior do tanque
Além de afetar o desempenho, a presença de água no depósito pode provocar corrosão interna. Com o passar do tempo, essa oxidação pode originar pequenas fugas ou libertar impurezas que contaminam o sistema de alimentação.
Filtros do combustível podem entupir
Outro risco comum está relacionado com os filtros de combustível. A água ou humidade no depósito pode levar ao entupimento destes componentes, obrigando à sua substituição precoce e, em casos mais graves, provocando falhas mecânicas.
Injetores também ficam em risco
Os injetores de combustível também não ficam imunes. Sendo sistemas de elevada precisão, são particularmente sensíveis à contaminação e podem sofrer danos que se traduzem em perdas de potência ou consumo irregular.
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Sistemas electrónicos também podem ser afetados
Nos modelos mais recentes, com componentes eletrónicos sensíveis, a presença de água no circuito de combustível pode gerar leituras erradas nos sensores. Isso pode levar o sistema de gestão do motor a interpretar que existe um problema inexistente, ativando luzes de aviso no painel ou provocando limitações no desempenho do veículo.
Medida simples com impacto duradouro
Evitar todos estes problemas pode ser tão simples como abastecer o depósito antes de imobilizar o veículo. Esta medida reduz o espaço disponível para o ar húmido e dificulta a formação de condensação no interior.
Embora possa parecer um gasto desnecessário, manter o depósito cheio é, na prática, uma forma de poupança. Ajuda a preservar o motor e evita reparações dispendiosas que surgem de forma inesperada após longos períodos de inatividade.
Combustível também envelhece
É ainda importante lembrar que, com o tempo, tanto a gasolina como o gasóleo se degradam. A presença de água acelera este processo, comprometendo a qualidade do combustível e, por consequência, o funcionamento do motor.
Viaturas sazonais requerem cuidados redobrados
Nos veículos de uso sazonal, como motas de água, caravanas ou barcos, este cuidado torna-se ainda mais relevante. “A mota não falhará nunca a deixar sempre de depósito cheio”, reforça Barrenengoa, citado pelo El Motor.
Mesmo em viaturas que só circulam de tempos a tempos, um simples gesto pode evitar incómodos sérios. Encher o depósito antes de deixar o veículo parado é uma das formas mais eficazes de garantir que o regresso à estrada decorre sem sobressaltos.
















