Num contexto de reforço da fiscalização rodoviária em Espanha, está a ganhar destaque um novo tipo de radar que promete tornar a deteção de excessos de velocidade mais difícil de antecipar, aumentando a pressão sobre os condutores e alterando a forma como a vigilância é feita nas estradas. Trata-se dos chamados radares sobre rodas, uma solução móvel que já está a ser utilizada e que deverá expandir-se nos próximos anos, segundo o site especializado em automobilismo El Motor.
As autoridades espanholas, nomeadamente a Dirección General de Tráfico (DGT) e o Servei Català de Trànsit, estão a apostar num modelo de fiscalização mais flexível e difícil de prever.
Os chamados radares-reboque, também conhecidos como radares sobre rodas, destacam-se pela capacidade de serem facilmente transportados e instalados em diferentes pontos da rede rodoviária.
Ao contrário dos radares tradicionais, estes dispositivos não estão fixos a um local específico, podendo mudar de posição com frequência.
Catalunha intensifica utilização
Na Catalunha, este tipo de radar tem vindo a ganhar protagonismo como resposta ao aumento da sinistralidade rodoviária.
Segundo as autoridades regionais, já foram instaladas 10 unidades, distribuídas pela autoestrada AP-7 e por outros pontos considerados estratégicos. Este reforço inclui seis novos dispositivos que se juntam a quatro já existentes, permitindo aumentar a cobertura e a capacidade de controlo.
Funcionamento mais difícil de antecipar
De acordo com a fonte acima citada, uma das principais caraterísticas destes radares é a mobilidade total. Instalados em estruturas com rodas, podem ser deslocados rapidamente e colocados em locais onde o risco aumenta de forma repentina.
Além disso, não necessitam de ligação elétrica permanente e conseguem monitorizar vários corredores de trânsito em simultâneo, incluindo acessos urbanos e zonas com maior incidência de infrações.
Estratégia focada nas zonas de maior risco
A estratégia das autoridades passa por posicionar estes radares em locais onde o excesso de velocidade dos condutores é mais frequente.
No caso da AP-7, estes dispositivos podem surgir ao longo de todo o corredor, entre La Jonquera e Ulldecona, dando prioridade a zonas com maior número de acidentes ou com tráfego intenso de veículos pesados.
Este fator contribui para aumentar a imprevisibilidade da fiscalização, obrigando os condutores a manterem uma condução mais prudente ao longo de todo o percurso, conforme refere a mesma fonte.
Alternativa aos radares fixos
Ao contrário dos radares fixos, que atuam sempre no mesmo local, os radares-reboque permitem uma vigilância dinâmica. Segundo a mesma fonte, a possibilidade de mudança frequente de localização destes radares impede que os condutores se habituem a pontos específicos de controlo, reforçando o efeito dissuasor.
Dados de campanhas anteriores indicam que esta abordagem tem contribuído para melhorar o comportamento dos condutores em troços com histórico de elevada sinistralidade.
Chegada a zonas de obras a partir de 2026
A utilização destes radares deverá ser alargada a novas áreas já a partir de 2026. A DGT prevê instalar mais de uma centena destes dispositivos em zonas de obras, com o objetivo de reforçar o cumprimento dos limites temporários de velocidade.
Estas áreas são consideradas particularmente sensíveis, uma vez que envolvem trabalhadores em atividade e sinalização provisória que nem sempre é respeitada.
Excesso de velocidade continua a ser problema
Segundo dados divulgados pelas autoridades espanholas, o excesso de velocidade continua a ser uma das principais causas de infrações nas estradas.
Em campanhas anteriores, milhares de condutores foram detetados em incumprimento, com uma grande parte das infrações registadas precisamente em zonas de obras. Este cenário reforça a necessidade de medidas mais eficazes e adaptáveis à realidade do tráfego.
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